App brasileiro converte textos impressos em sons para deficientes visuais

O EyeFy é a grande novidade para ajudar as pessoas com deficiências visuais. O app, criado no Brasil, é gratuito e usa inteligência artificial e aprendizado de máquina para identificar as palavras e converter textos em sons, como uma leitura em voz alta. O software pode ajudar também as pessoas não alfabetizadas. As informações são do Canaltech.

A inspiração teria sido um sistema que faz a mesma coisa, a partir de uma câmera acoplada na armação dos óculos, mas que é muito caro — custa R$ 19 mil para ser instalado. O criador do utilitário, Jonathan Santos, queria criar uma iniciativa mais ampla e aberta para todos, então lançou o aplicativo sem cobrança alguma ou uso de publicidade. Nem mesmo é necessário conexão à web para utilizá-lo depois de baixado para o dispositivo móvel.

Para usar o app, é só baixá-lo na Play Store — por enquanto não há versão para iOS — e abrí-lo com a câmera, mirando o texto com o dedo pressionado por alguns segundos. Em seguida, o aparelho deve reconhecer as frases e então “ler em voz alta”.

Vale lembrar também que há atualmente o projeto #PraCegoVer, que busca acessibilidade em redes sociais por meio da audiodescrição de imagens detalhar por meio de palavras. Ambas as iniciativas, juntas, com certeza podem melhorar muito o cotidiano de quem é cego.

Pesquisadores da UFRJ testam em humanos nova droga que pode regenerar lesões da medula

Pesquisadores da UFRJ desenvolveram uma droga sintética, a polilaminina, que, em testes com ratos, mostrou capacidade de regenerar lesões de medula. A fase de estudos clínicos está começando agora, com pacientes dos Hospitais Souza Aguiar, no Rio, e Azevedo Lima, em Niterói, que tenham sofrido lesões medulares.

Nos testes com animais, em caso de lesões moderadas, os movimentos foram totalmente recuperados. Quando o corte da medula foi completo, houve recuperação parcial dos movimentos.

A polilaminina foi patenteada em 2007 no Brasil pelos pesquisadores do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, mas só agora foi possível iniciar os testes clínicos.

A pesquisa é coordenada pela professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas e diretora da Adufrj. O trabalho começou em 2000, quando a equipe sintetizou em laboratório a polilaminina, um biofármaco capaz de recompor a estrutura original da laminina, proteína existente no corpo humano.

O segundo passo foi achar uma função para a polilaminina e saber em que tipo de terapia ela podia ser utilizada. O grupo descobriu que a droga era capaz de estimular a reconstrução espontânea da medula espinhal ou mesmo do cérebro. Pela primeira vez, chegou-se a uma droga sintética capaz de estimular um processo natural que, por alguma razão, estava bloqueado.

Artigo recente publicado pelos pesquisadores no “Journal of Neuroscience”, prestigiado periódico científico, mostra que a laminina está presente em nichos no cérebro que abrigam células-tronco responsáveis pela formação de novos neurônios, a chamada neurogênese. A polilaminina, ao reconstituir a estrutura da proteína original, permite a recomposição da área afetada por lesões.

O artigo foi escrito em colaboração com o pesquisador Marcos Assis Nascimento, do Instituto de Biofísica. Também participam do projeto pesquisadores da Universidade de Münster, na Alemanha. Os testes com pacientes envolverão mais de uma dezena de profissionais, inclusive equipes dos hospitais envolvidos. A descoberta foi noticiada com destaque no jornal O Globo no dia 19 de abril.

Para os testes com humanos, Tatiana destaca que os candidatos devem se adequar a vários critérios, desde idade e questões de saúde até características do quadro clínico. A droga tem de ser aplicada em até três dias depois que a pessoa sofre a lesão _ por isso é preciso recrutar os pacientes em emergências, para que a droga seja aplicada num prazo curto. “Vamos partir agora para a fase mais difícil, a clínica. Sabemos que isso abre caminho para buscar terapias para doenças que envolvem lesões de células nervosas, como o Alzheimer. É uma pesquisa de uma vida”, resume

União indenizará cadeirante em R$ 15 mil por local de votação sem acessibilidade

O Estado age com conduta omissiva ao não providenciar acesso às pessoas com deficiência física em local de votação, obrigação constante no plano constitucional e legal. Assim entendeu a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região ao confirmar o direito de um eleitor, que utiliza cadeira de rodas, a receber indenização por danos morais de R$ 15 mil.

O caso trata de um homem que, ao tentar votar na eleição municipal de Botucatu (SP), em 2002, não conseguiu porque a urna eletrônica estava em andar superior, sem acesso por rampas ou elevadores.

A relatora, desembargadora Diva Malerbi, considerou que o fato afetou a honra do autor, “sendo que não lhe foi oferecida qualquer alternativa viável que pudesse evitar a lesão sofrida, estando configurado dano moral passível de ser indenizado”.

Em primeiro grau, a decisão foi favorável ao eleitor. A União apelou, alegando a “ausência de dano moral indenizável, uma vez que teriam sidos disponibilizados meios para que ele tivesse acesso à urna eletrônica instalada no piso superior do prédio, já que funcionário da Justiça eleitoral se prontificou a conduzir o recorrido até o local de votação”.

Ao analisar o processo, no entanto, a desembargadora não concordou com os argumentos da União. Seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, afirmou que a responsabilidade civil do Estado é objetiva pelos danos causados por agentes no exercício da função pública.

Para a magistrada, uma vez demonstrada a relação da causalidade entre a conduta estatal e o dano moral sofrido pelo autor, deve ser reconhecido o direito à indenização. Além disso, afirmou que o valor dos danos morais sofridos pelo autor está “em consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, estando em harmonia com as balizas do E. Superior Tribunal de Justiça para casos análogos”. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

O QUE ACHEI: THE GOOD DOCTOR

Em “The Good Doctor” ou como é chamado no Brasil O bom doutor, o Dr. Shaun Murphy (Freddie Highmore) inicia a sua residência como cirurgião no San Jose St. Bonaventure Hospital. O detalhe é que Shaun é portador de autismo e savantismo e precisa superar o ceticismo e a desconfiança de seus colegas e provar, especialmente para os chefes e diretores, que tem condições de ser um dos melhores médicos do hospital. E pode-se dizer que a capacidade de Shaun de pensar “fora da caixa” é proporcional a sua falta de tato social.

A série é baseada no K-Drama “Good Doctor” (굿닥터, 2013) e vem sendo produzida por Daniel Dae Kim (ator das séries “Lost” e “Hawaii Five-0”) e David Shore (responsável pela série “House”). O principal diferencial desta série em relação aos outros (vários) dramas médicos é o olhar mais aprofundado sobre os portadores do autismo, mostrando suas dificuldades em se expressar e se relacionar e os esforços positivos de seus colegas para tentar se aproximar de Shaun.

Entretanto, cabe observar que Shaun basicamente só foi contratado pelo hospital por sua genialidade, pelo savantismo. Pelo fato de o personagem apresentar as duas condições, os espectadores podem ser erroneamente levados a acreditar que essas condições sempre ocorrem simultaneamente. Seria interessante que a série mostrasse mais os diversos graus do autismo, com outros personagens (assim como fizeram brevemente em alguns episódios), para tentar diminuir um pouco o “romantismo” em cima disso.

Esta primeira temporada ainda explorou um pouco do tema do assédio sexual, envolvendo a personagem Claire (Antonia Thomas). Foi boa a forma como a questão foi conduzida e até mesmo os eventos que se seguiram mostraram que, assim como ainda acontece na vida real, não há uma punição efetiva para quem é poderoso, infelizmente. Mas, como o caso não foi completamente concluído, seria interessante ver Claire lidando novamente com este problema em uma temporada futura.

Os episódios seguem mais ou menos um mesmo padrão, onde os residentes precisam lidar com um caso fora do padrão e, eventualmente, Shaun acaba tendo as ideias mais extraordinárias, depois de um breve período de reflexão, com efeitos que lembram muito os momentos de reflexão do Sherlock da série da BBC. A direção de arte também merece menção positiva, com réplicas de órgãos bastante realistas, que ajudam a série a ter algum pé na veracidade (uma vez que muitos eventos da série são bastante bizarros para serem factíveis).

Sem dúvida nenhuma, Freddie Highmore é o maior destaque da série. Na pele de mais um protagonista, o talentoso ator demonstra domínio total de seu personagem, com trejeitos, olhares, expressões e entonações da voz, além de um grande carisma e uma presença que quase faz com que ele domine todas as suas cenas. Não seria estranho vê-lo na lista de indicações a Melhor Ator no Emmy deste ano. Os demais atores estão bem, mas ainda não dá para se afeiçoar tanto aos seus personagens.

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Ricardo
Falar sobre si não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Acho que por isso mesmo adiei tanto a atualização dessa página! Mas vamos tentar né? Você já teve a chance de conviver com um capricorniano? Pois é, aquele jeito louco, sonhador, aventureiro, e nem sempre com os dois pés no chão… Esse sou EU! Ricardo Tostes Pinto Perdigão, ou pra vocês, apenas Ricardo Tostes.

Aaron Philip: a modelo trans com deficiência que conquistou o mundo "Sou apenas uma adolescente tentando viver minha vida. Minha deficiência é uma parte de mim, mas não define toda a minha identidade", diz

Quem passou as férias em Nova York neste verão teve a chance de esbarrar com uma musa loira desfilando com sua cadeira de rodas pelas ruas de Manhattan. Aaron Philip, de 17 anos, é uma modelo negra, trans e com deficiência física que conquistou o mundo no ano passado ao compartilhar suas fotos em um post viral no Twitter: “Honestamente, quando uma agência de modelos me encontrar, significa que acabou para vocês. Eu represento a verdadeira inclusão e diversidade”.

As fotos foram retuitadas mais de 20 mil vezes e tiveram mais de 80 mil curtidas, além de vários comentários. As pessoas instantaneamente se apaixonaram pelo estilo de Aaron e pela sua energia que é transmitida até pelas imagens. E pessoalmente Aaron é exatamente assim: espontânea, com riso fácil e amável. Seus sonhos de ter sucesso e fama ocupam um lugar secundário na vontade de ajudar aos outros, especialmente por meio do seu trabalho.

Ela nasceu na ilha de Antígua, no Caribe, com paralisia cerebral tetraplégica, e foi para o Bronx aos três anos de idade. Desde criança, cresceu ansiosa para representar pessoas com deficiência.

Inclusive, lembra que ficou feliz e orgulhosa ao ver Kylie Jenner posando em uma cadeira de rodas na Interview Magazine, em 2015. “Quando era mais nova, fiquei empolgada pela imagem e representação [de pessoas com dificuldades de locomoção] porque todos só nos viam como usuários de cadeira de rodas. Mas não sabia como lidar com aquilo, porque eu não vi que Kylie Jenner estava usando nossa imagem como fetiche”, diz. E completa: “se ela não soube promover a inclusão há alguns anos, hoje, Aaron Philip certamente sabe”.

A modelo sempre sonhou ser uma estrela. “Queria fazer fotos para que pudesse me candidatar às agências, mas não estava recebendo o feedback que queria. Então decidi ir ao Twitter”, diz. “Tinha a intenção de fazer esse post, mas não esperava que isso explodisse do jeito que aconteceu”.

Para pessoas como Aaron, a indústria da moda não está evoluindo rápido o suficiente. Apesar do fato de as pessoas com deficiência representarem 15% da população global, a deficiência continua a ser um tabu frustrante quando se trata de discussões sobre diversidade, moda e beleza. “Somos negligenciados no espaço de beleza”, opina Aaron. “[O setor tem] a obrigação de criar espaços que sejam acessíveis, limpos, abertos e bem pensados para nós”.

Depois do sucesso do tuíte, ela já fez um ensaio para a Paper Magazine, para a Them e também participou de algumas campanhas. Se antes estava focada exclusivamente em assinar com uma agência de modelos, agora vê os benefícios de aproveitar as oportunidades que vieram após o post. “As pessoas me mostraram muita gentileza e eu devolvi. Às vezes tem ódio e negatividade, mas estou muito feliz para me importar com isso”, conta ela, que quer estudar fotografia para clicar e apoiar jovens com deficiência.

FONTE: Revista Glamour