Da reserva de vagas aos candidatos portadores de deficiência nos concursos públicos

Nos termos do artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, “a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei (…)”.

Dando concretude ao mandamento constitucional, a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, conhecida como o estatuto do servidor público federal, dispôs, em seu artigo 10, que “a nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade”.

A referida Lei nº 8.112/1990, além de reproduzir a obrigatoriedade da realização de concurso público, já prevista na Constituição, previu os requisitos básicos para investidura em cargos públicos (artigo 5º, I a VI, e §1º); o dever de pagamento, pelo candidato, do valor de inscrição previsto no edital, ressalvadas as hipóteses de isenção nele previstas (artigo 11); o prazo máximo de validade dos concursos (artigo 12, caput); a forma de publicação do edital (artigo 12, §1º); a vedação de abertura de novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior, cuja validade não tiver expirado (artigo 12, §2º) e o direito das pessoas portadoras de deficiência de participarem dos certames, destinando-lhes percentual máximo de reserva de vagas (artigo 5º, §2º).

De acordo com esse último dispositivo legal:

§ 2º Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.”

Tal direito de reserva de vagas foi regulamentado pelo Decreto nº 3.298/1999, que dispõe sobre a “Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência”.

O artigo 37 desse Decreto assegura às pessoas portadoras de deficiência o direito de se inscreverem em concurso público, em igualdade de condições com os demais candidatos, para o provimento de cargos cujas atribuições sejam compatíveis com suas deficiências, reservando-lhes, no mínimo, 5% (cinco por cento) das vagas do concurso.

Assim, enquanto o artigo 5º, § 2º, da Lei nº 8.112/1990 estipula o percentual máximo de vagas que deve ser destinado aos candidatos portadores de deficiência, fixando-o em 20% (vinte por cento), o artigo 37 do Decreto nº 3.298/1999 estipula o percentual mínimo, fixando-o em 5% (cinco por cento).

Caso a aplicação desse percentual resulte em número fracionado, este deve ser elevado até o número inteiro subsequente (art. 37, § 2º, do Decreto), desde que não ultrapassasse o máximo legal de 20% (vinte por cento), conforme previsto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 8.112/1990.

Fixadas essas premissas, tem-se que, se em determinado concurso público forem previstas 20 (vinte) vagas para determinado cargo, aos candidatos portadores de deficiência deverão ser reservadas, no mínimo, 1 (uma) vaga – que corresponde a 5% (cinco por cento) – e, no máximo, 4 (quatro) vagas – que corresponde a 20% (vinte por cento) -, a critério do edital.

Assim, nesse concurso, poderão ser reservadas aos candidatos portadores de deficiência 1 (uma), 2 (duas), 3 (três) ou 4 (quatro) vagas, o que deve ser definido pelo idealizador do concurso público, no edital.

Já num concurso em que forem oferecidas apenas 5 (cinco) vagas para determinado cargo, aos candidatos portadores de deficiência deverá ser reservada, necessariamente, 1 (uma) vaga, que corresponde a 20% (vinte por cento) das vagas ofertadas. Nesse caso, o percentual máximo é o que deverá ser aplicado pois impossível seria a aplicação de qualquer outro.

Se, no entanto, em determinado concurso público existirem, apenas, 4 (quatro) vagas para determinado cargo público, ou um número de vagas ainda menor (três, duas ou uma), então não poderá haver reserva de vagas aos candidatos portadores de deficiência, pois, nesses casos, 1 (uma) vaga sequer já corresponderia a um percentual de reserva maior que os 20% permitidos pela Lei nº 8.112/1990.

Mesmo nesses casos, porém, caso ocorra a abertura de novas vagas dentro do prazo de validade do concurso, o edital deve garantir, no mínimo, a reserva de 5% (cinco por cento) às pessoas portadoras de deficiência.

O tratamento da matéria, na forma exposta, além de alinhado com as disposições da Lei nº 8.112/1990 e do Decreto nº 3.298/1999, acima citados, encontra-se em perfeita consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, conforme se observa do seguinte julgado:

CONCURSO PÚBLICO – CANDIDATOS – TRATAMENTO IGUALITÁRIO. A regra é a participação dos candidatos, no concurso público, em igualdade de condições. CONCURSO PÚBLICO – RESERVA DE VAGAS – PORTADOR DEDEFICIÊNCIA – DISCIPLINA E VIABILIDADE. Por encerrar exceção, a reserva de vagas para portadores de deficiência faz-se nos limites da lei e na medida da viabilidade consideradas as existentes, afastada a possibilidade de, mediante arredondamento, majorarem-se as percentagens mínima e máxima previstas.”

(MS nº 26.310-5/DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 31/10/2007)

Do voto condutor do Ministro Marco Aurélio, extrai-se a seguinte concepção:

“A regra é a feitura de concurso público, concorrendo os candidatos em igualdade de situação – Inciso II do artigo 37 da Carta da República. O inciso VIII do mesmo artigo preceitua que ‘a lei reservará percentual de cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão’. A Lei n.º 7.853/89 versou a percentagem mínima de cinco por cento e a Lei n.º 8.112/90 veio a estabelecer o máximo de vinte por cento de vagas reservadas aos candidatos portadores de deficiência física.

Ora, considerando o total de vagas no caso – duas – não se tem, aplicada a percentagem mínima de cinco ou a máxima de vinte por cento, como definir vaga reservada a teor do aludido inciso VIII. Entender-se que um décimo de vaga ou mesmo quatro décimos, resultantes da aplicação de cinco ou vinte por cento, respectivamente, sobre duas vagas, dão ensejo à reserva de uma delas implica verdadeira igualização, olvidando-se que a regra é a não distinção entre os candidatos, sendo exceção a participação restrita, consideradas vagas reservadas. Essa conclusão levaria os candidatos em geral a concorrerem a uma das vagas e os deficientes, à outra, majorando-se os percentuais mínimo, de cinco por cento, e máximo, de vinte por cento, para cinquenta por cento. O enfoque não é harmônico com o princípio da razoabilidade.

Há de se conferir ao texto constitucional interpretação a preservar a premissa de que a regra geral é o tratamento igualitário, consubstanciando exceção a separação de vagas para um certo segmento. A eficácia do que versado no artigo 37, inciso VIII, da Constituição Federal pressupõe campo propício a ter-se, com a incidência do percentual concernente à reserva para portadores de deficiência sobre cargos e empregos públicos previstos em lei, resultado a desaguar em certo número de vagas, e isso não ocorre quando existentes apenas duas. Daí concluir pela improcedência do inconformismo retratado na inicial, razão pela qual indefiro a ordem”

Assim, para os cargos objeto de concursos públicos em que são oferecidas menos de 5 (cinco) vagas, não deve haver reserva para os candidatos portadores de deficiência, sob pena de se alijarem, em proporção maior do que a lei considera devida, os demais concorrentes da competição, ainda que estes saiam melhores classificados no certame, o que não é a intenção da Constituição Federal ou das normas infraconstitucionais em comento.

Nesse sentido, também, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:

ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS. RESERVA DA ÚNICA VAGA. LIMITES ESTABELECIDOS NO ART. 37, §§1º E 2º, DO DECRETO 3.298/99 E NO ART. 5º, §2º, DA LEI 8.112/90. PERCENTUAL MÍNIMO DE 5% DAS VAGAS. NÚMERO FRACIONADO. ARREDONDAMENTO PARA O PRIMEIRO NÚMERO INTEIRO SUBSEQUENTE. OBSERVÂNCIA DO LIMITE MÁXIMO DE 20% DAS VAGAS OFERECIDAS.

Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança em que se discute a legalidade da nomeação de candidato portador de deficiência para a única vaga prevista no edital (Técnico do Ministério Público – especialidade em direito – Comarca de Lavras).

O Tribunal a quo denegou a segurança sob o argumento de que “o item 11.4 do edital do concurso assegura nomeação preferencial aos candidatos portadores de deficiência (f. 12-TJ), razão pela qual a Administração Pública, ao garantir a única vaga prevista para a Comarca de Lavras à candidata portadora de deficiência classificada em 1º lugar, nada mais fez do que dar cumprimento efetivo às regras do certame” (fls. 210).

A partir da análise do art. 37, §§ 1º e 2º, do Decreto 3298/99 e do art. 5º, §2º, da Lei nº 8112/90, conclui-se que deverá ser reservado, no mínimo, 5% das vagas ofertadas em concurso público aos portadores de necessidades especiais e, caso a aplicação do referido percentual resulte em número fracionado, este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subsequente, desde que respeitado o limite máximo de 20% das vagas ofertadas.

Na hipótese dos autos, o Ministério Público Estadual, em seu concurso, previu a reserva de dez por cento das vagas ofertadas aos portadores de deficiência (item 3.5 do edital – fl. 10). Para o cargo em questão (Técnico do Ministério Público – especialidade em direito – Comarca de Lavras) havia apenas 1 (uma) vaga (fls. 13). Dessa forma, como o edital oferece apenas 1 (uma) vaga para a área que concorrem a impetrante e o deficiente físico litisconsorte, a aplicação da regra editalícia de reserva de 10% das vagas implicaria no resultado de 0,10 vagas, o que não é razoável. Como no caso foi disponibilizada apenas 1 vaga, resta evidente que a reserva desta única vaga ofertada ultrapassaria o percentual de 20%, perfazendo 100%.

Recurso ordinário provido.

(RMS 38.595/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJ 12/11/2013)

MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. CONCURSO PÚBLICO. RESERVA DE VAGAS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. INAPLICABILIDADE AO CASO DE EXISTÊNCIA DE APENAS UMA VAGA. PARTICIPAÇÃO NA SEGUNDA ETAPA DO CERTAME. SEGURANÇA CONCEDIDA EM PARTE.

A regra do edital que prevê a reserva de vagas para deficientes físicos é válida e, no caso, sua discussão em favor da impetrante fica prejudicada pela decadência.

Entretanto, o pedido concessão de ordem para participação na segunda etapa do concurso não sofre os efeitos da decadência, pois não se dirige contra o edital, e pode ser apreciado a despeito da legalidade de suas regras.

A regra genérica de reserva de 5% das vagas do concurso para deficientes físicos só é aplicável se resulta em pelo menos uma vaga inteira. No caso em que se disputa apenas uma vaga, a aplicação da regra implica na reserva de absurdas 0,05 vagas, portanto não pode ser aplicada. De outro turno, a reserva da única vaga para deficientes físicos implica em percentual de 100%, o que, além de absurdo, não está previsto pelo edital.

Havendo apenas uma vaga, a disputa rege-se pela igualdade de condições, e a convocação de deficiente físico que logrou classificação inferior à da impetrante, fere o direito líquido e certo desta. Segurança concedida em parte.

(MS 8417/DF, Terceira Seção, Rel. Min. Paulo Medina, DJ 14/06//2004)

Sobre a correção do procedimento de se aplicar o percentual de reserva sobre o número de vagas de cada cargo, e não sobre o número total de vagas do concurso, quando este se destinar ao provimento de mais de um cargo público, ou qualquer outra base de cálculo, confira-se o seguinte julgado do Supremo Tribunal Federal:

CONSTITUCIONAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. RESERVA DE VAGAS À ESPECÍFICA CONCORRÊNCIA. ESTRUTURAÇÃO DE FASE DO CONCURSO EM DUAS TURMAS DE FORMAÇÃO. LEI 8.112/1990, ART. 5º, § 2º. DECRETO 3.298/1999. ESPECIFICIDADES DA ESTRUTURA DO CONCURSO. IRRELEVÂNCIA PARA A ALTERAÇÃO DO NÚMERO TOTAL DE VAGAS OFERECIDAS. MODIFICAÇÃO DO NÚMERO DE VAGAS RESERVADAS. IMPOSSIBILIDADE. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 1. Recurso ordinário em mandado de segurança interposto de acórdão do Superior Tribunal de Justiça que entendeu ser plausível o cálculo da quantidade de vagas destinadas à específica concorrência de acordo com o número de turmas do curso de formação. 2. Os limites máximo e mínimo de reserva de vagas para específica concorrência tomam por base de cálculo a quantidade total de vagas oferecidas aos candidatos, para cada cargo público, definido em função da especialidade. Especificidades da estrutura do concurso, que não versem sobre o total de vagas oferecidas para cada área de atuação, especialidade ou cargo público, não influem no cálculo da reserva. (…)” (RMS nº 25.666/DF, 2ª turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ 03/12/2009).

Com relação às regras editalícias referentes à participação de pessoas portadoras de deficiência em concursos públicos, de acordo com o artigo 39 do Decreto nº 3.298/1999, o edital do concurso deverá conter: (i) o número de vagas existentes, bem como o total correspondente à reserva destinada à pessoa portadora de deficiência; (ii) as atribuições e tarefas essenciais dos cargos; (iii) previsão de adaptação das provas, do curso de formação e do estágio probatório, conforme a deficiência do candidato; e (iv) exigência de apresentação, pelo candidato portador de deficiência, no ato da inscrição, de laudo médico atestando a espécie e o grau ou nível da deficiência, com expressa referência ao código correspondente da Classificação Internacional de Doença – CID, bem como a provável causa da deficiência.

Destacam-se, ainda, as seguintes garantias estabelecidas aos candidatos portadores de deficiências, nos artigos 40 a 44 do Decreto nº 3.298/1999:

 

I. No ato da inscrição, o candidato portador de deficiência que necessite de tratamento diferenciado nos dias do concurso deverá requerê-lo, no prazo determinado em edital, indicando as condições diferenciadas de que necessita para a realização das provas (art. 40, §1º);

 

II. O candidato portador de deficiência que necessitar de tempo adicional para realização das provas deverá requerê-lo, com justificativa acompanhada de parecer emitido por especialista da área de sua deficiência, no prazo estabelecido no edital do concurso (art. 40, § 2º);

 

 III. A pessoa portadora de deficiência, resguardadas as condições especiais previstas no Decreto, participará de concurso em igualdade de condições com os demais candidatos no que concerne ao conteúdo das provas; à avaliação e aos critérios de aprovação; ao horário e ao local de aplicação das provas; e à nota mínima exigida para todos os demais candidatos (art. 41);

IV. A publicação do resultado final do concurso será feita em duas listas, contendo, a primeira, a pontuação de todos os candidatos, inclusive a dos portadores de deficiência, e a segunda, somente a pontuação destes últimos (art. 42);

 

V. O órgão responsável pela realização do concurso terá a assistência de equipe multiprofissional composta de três profissionais capacitados e atuantes nas áreas das deficiências em questão, sendo um deles médico, e três profissionais integrantes da carreira almejada pelo candidato (art. 43, caput);

 

VI. A equipe multiprofissional emitirá parecer observando (I) as informações prestadas pelo candidato no ato da inscrição;(II) a natureza das atribuições e tarefas essenciais do cargo ou da função a desempenhar; (III) a viabilidade das condições de acessibilidade e as adequações do ambiente de trabalho na execução das tarefas; (IV) a possibilidade de uso, pelo candidato, de equipamentos ou outros meios que habitualmente utilize; e (V) a CID e outros padrões reconhecidos nacional e internacionalmente (art. 43, §1º);

VII.  A equipe multiprofissional avaliará a compatibilidade entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato durante o estágio probatório (art. 43, § 2º);

 

VIII. A análise dos aspectos relativos ao potencial de trabalho do candidato portador de deficiência obedecerá ao disposto no art. 20 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (art. 44).

Estas são, pois, as principais regras a serem observadas pela Administração Pública, no ato de elaboração de editais de concurso para provimento de vagas de cargos públicos, no que se refere à participação de candidatos portadores de deficiência, devendo ser observada, ainda, a interpretação dada à matéria pelos tribunais superiores, conforme jurisprudência acima apresentada.

PARAPLÉGICOS COMEÇAM A TESTAR ESTIMULAÇÃO POR ELETRODOS

 O neurocientista suíço Gregoire Courtine começou a testar o sistema de estimulação por eletrodos em pessoas com paraplegia, depois de conseguir que um rato e um macaco paralisados voltassem a andar.

Pesquisador do G-Lab do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne, Courtine disse nesta sexta-feira à Agência Efe que, após 15 anos desenvolvendo o sistema em ratos e macacos, já está há cinco meses testando a descoberta num grupo de oito pacientes com lesões medulares crônicas de entre cinco e sete anos de idade.

O dispositivo consiste na implantação de um estimulador no abdômen que se conecta a um campo de eletrodos situado na região lombar, onde ficam as células que controlam os músculos das pernas. Após o implante, é feito um mapa do paciente para saber onde e como aplicar os estímulos, que sempre são gerados em tempo real.

Este dispositivo é controlado sem fio, simulando a extensão e a flexão que as pernas humanas fazem ao caminhar e fazendo com que os neurônios voltem a gerar atividade. O médico comparou este processo ao regeneração da cauda da lagartixa, que, apesar de ser cortada, volta a crescer mediante o estímulo do cérebro do animal.

O vice-presidente da fundação Step by Step, que organiza o 4º Congresso Internacional de Reparação da Medula Espinhal, em Barcelona, Miguel Ángel González-Viejo, explicou à Efe que o sistema de impulsos pretende “fazer um bypass da parte superior da lesão medular até a inferior, saltando o pedaço de medula lesionada”.

A importância desta aplicação é o cérebro, que atua como receptor destes impulsos e os traduz regenerando a atividade. Segundo Courtine, “o estímulo ativa a medula espinhal como o cérebro faria ao caminhar”.

Ele garantiu que, após a finalização do teste de agora e a publicação dos resultados, provavelmente em um ano o experimento passará à fase de prova em países como Suíça, Alemanha, Espanha, França, Itália, Áustria, Inglaterra e Suécia.

“Ainda não sabemos se este tratamento será usado como reabilitação ou se implicará um sistema com próteses. Apesar de não podermos garantir que seja a cura ou um milagre, pode ser a chave da recuperação “, afirmou.

Fonte: Brasil efesalud

PROJETO BIKEAROUND, TECNOLOGIA DO STREET VIEW AJUDA PACIENTES COM DEMÊNCIA A RECUPERAR SUAS MEMÓRIAS! O Google Street View acaba de fazer 10 anos e é usado para muito mais do que mostrar o caminho Em 2007, a primeira frota de carros com câmeras do Google foi enviada para mapear o mundo. Quem teria imaginado que, 10 anos depois, uma pesquisadora usaria a tecnologia do Street View para ajudar pacientes com demência a recuperar suas memórias. Isso é exatamente o que a engenheira biomecânica Anne-Christine Hertz está fazendo.

A tecnologia e o poder da memória

Anne-Christine estava tentando desenvolver novos métodos de tratamento para pacientes com Alzheimer e demência. Mais especificamente, ela queria ajudá-los a preservar memórias antigas. A perda de memória é um dos efeitos colaterais mais traumáticos da demência, tanto para os pacientes quanto para os familiares.

Para combater isso, ela criou um protótipo chamado BikeAround, que conecta uma bicicleta ergométrica ao Google Street View para levar pacientes com demência a um passeio virtual pelas memórias. Os pacientes colocam o endereço de um local significativo para eles, como a casa onde passaram a infância. Depois, eles usam os pedais e o guidão para passear “de bike” pelos antigos bairros.

Não seria mais fácil olhar um álbum de fotos?

Nossas memórias mais marcantes estão intensamente ligadas ao local onde elas ocorreram. Não é por acaso que, ao pensar em um evento do passado ou uma memória importante, geralmente nosso primeiro pensamento é “onde eu estava quando isso aconteceu?”. O projeto BikeAround usa essa ideia ao combinar a estimulação mental (levando o paciente aos locais que ele reconhece) à estimulação física (fazendo com que ele pedale e dirija). Os cientistas acreditam que esse pareamento faz com que o cérebro produza dopamina. Além disso, tem o potencial de afetar o gerenciamento da memória de maneira profunda.

O que está por vir

A invenção BikeAround de Anne-Christine é um exemplo inspirador do que acontece quando você disponibiliza a tecnologia para todos. Agora, o dispositivo está passando por mais estudos científicos, com o objetivo de levá-lo para o mundo todo e melhorar a vida de pacientes com demência a cada passeio de bicicleta.

 Fonte: Amigos cadeirantes 

COMISSÃO APROVA PL DE MARA GABRILLI QUE PRIORIZA CRIANÇAS NO ACESSO A TECNOLOGIAS DE ACESSIBILIDADE

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência aprovou nesta semana uma proposta que dá prioridade às crianças com deficiência em idade escolar (entre 0 a 6 anos) no acesso a órteses, próteses e outras tecnologias que ampliem habilidades. O texto aprovado é o Projeto de Lei 6674/16, da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Na opinião da autora, a prioridade vai ampliar e acelerar o contato das crianças com tecnologias que melhoram as suas vidas e permitem que elas não se afastem das escolas.

“A Declaração de Salamanca, da qual o Brasil é signatário, afirma que toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas. Esse documento reforça a importância de o Poder Legislativo, por meio de suas Casas, realizar medidas nos campos da saúde para dar mais efetividade à legislação da educação”, afirma Mara.

De acordo com artigo publicado em 2014 pelo portal “Uol Educação”, em 2014, havia cerca de 140 mil crianças e jovens foram da escola devido à deficiência. “O Brasil, como subscritor da Declaração de Salamanca, tem o dever de adotar medidas para garantir que todas as crianças, inclusive aquelas que apresentem deficiências, ingressem e permaneçam nas escolas”, completa a deputada.

A relatora da proposta, deputada Zenaide Maia (PR-RN), destacou que os atrasos no fornecimento de aparelhos como cadeiras de rodas e outras órteses, próteses ou tecnologias comprometem o sucesso educacional das crianças. “Consideramos de fundamental importância que o Estado brasileiro assegure, sem demora, meios para que crianças e adolescentes possam participar plenamente do ambiente educacional e da sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas”, disse.

Tramitação

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Mara Gabrili 

TRIATLETA QUE FICOU PARAPLÉGICO DURANTE TREINO SE PREPARA PARA RETORNAR AO IRONMAN Os últimos meses foram de pura dedicação para Emerson Damasceno, que perdeu 15 kg em 80 dias de treinos

Faltam poucos dias para uma das provas mais difíceis do mundo esportivo. O Ironman retorna a Fortaleza no próximo dia 26 de novembro. Concluir a prova não é tarefa fácil. Tal feito é motivo de orgulho para quem se arrisca a desafiar os limites. Serão 90,1 km de bicicleta, 21,1 km de corrida de rua, mais 1,9 km de natação.

Para Emerson Damasceno, a prova terá um sabor especial. Será o seu retorno ao Ironman após um acidente que lhe impossibilitou de andar desde 2014.

“É muito importante para mim. Eu estava treinando para essa prova quando fui atropelado, é como se eu fosse encerrar um ciclo”, conta.

Os últimos meses foram de pura dedicação. Emerson perdeu 15 kg em 80 dias de treinos intensos. Para ele, o choque de realidade lhe trouxe uma outra visão sobre a vida. “A pessoa aprende todo dia a driblar problemas, a praticar a superação. O triatlon ajudou muito na minha vida, ele me segurou em muitos momentos”.

O acidente não foi o único obstáculo superado por Emerson. Em 2008, o atleta recebeu um duro golpe. “No ano de 2007, eu fiz o meu primeiro Ironman. Um ano depois meu filho teve câncer. O esporte me ensinou a não desistir nunca, é uma filosofia de vida. Eu tô encarando essa prova com uma serenidade muito grande”, revelou.

Emerson contará com uma equipe para concluir a prova. Francisco Elione e Fáh Fonseca também são paratletas, cada um ficará com um trecho do percurso.

“Essa categoria já existia, a novidade é o revezamento. Criamos o nosso trio, somos os guerreiros do agreste. Temos o nosso diferencial, cada um vai competir na sua modalidade preferida”, relata Emerson, que será responsável pela natação.

Fonte: Tribuna do ceara

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