Inaugurada rampa de acessibilidade da Rota das Cachoeiras, veja as fotos

Anualmente, cerca de 30 mil turistas visitam a Reserva Particular do Patrimônio Natural Emílio Fiorentino Battistella, a conhecida Rota das Cachoeiras de Corupá.

Se em todos esses anos que ela se tornou destino de tantos turistas, acessibilidade era limitada, impedindo o acesso de pessoas com necessidades especiais, idosos e visitantes com mobilidade reduzida, a realidade a partir do último domingo (21) é outra.

Foi neste final de semana que a inauguração da rampa de acessibilidade permitiu que os olhos de Marcelino Alves avistasse, novamente, a Cachoeira do Suspiro. Há 11 anos, Marcelino ficou paraplégico após um acidente durante um mergulho em uma queda d’água do município.

Assim como Marcelino, outras inúmeras pessoas podem, a partir de agora, se deslumbrar com a beleza natural da reserva. A inauguração da rampa teve convidados especiais de Corupá, Criciúma, Joinville e Jaraguá do Sul.

De acordo com Marmonn Nadolny, engenheiro florestal e gerente ambiental da empresa Mobasa Reflorestamento, proprietária da área, a obra de 150 metros começou a ser construída neste ano com compensado naval, corrimãos de pinus tratado e contou com o investimento de R$ 120 mil, valor oriundo de parceria entre a Prefeitura de Corupá, a empresa Mobasa, APERC e o Ministério Público de Santa Catarina, por meio do fundo de bens lesados.

Além da rampa que dá acesso à primeira das 14 cachoeiras da Rota, a obra ainda contemplou melhorias na última queda d’água que agora conta com duas pontes pênseis e um novo deck.

“O objetivo de nossa reserva é, além da preservação ambiental, proporcionar que mais pessoas possam ter contato com a natureza como vai ocorrer agora com a rampa de acessibilidade que vai permitir que pessoas com necessidades especiais possam chegar de forma segura e fácil à primeira cachoeira que também é uma das mais belas da Reserva”, destaca Nadolny.

Para o prefeito João Carlos Gottardi, a inauguração da rampa torna ainda mais acessível um dos pontos turísticos mais visitados de Corupá e região.

“Foi uma alegria ver as pessoas que antes tinham dificuldade de chegar aqui, agora com a abertura da rampa, poderem sentir as gotas de água que vinham da cachoeira e ter esse contato tão direto com a natureza” comenta.

Além da obra inaugurada no último domingo, a expectativa da administração da Reserva é de instalar placas em brailing e uma trilha sensitiva para que os cegos possam ter um contato maior com a Rota das Cachoeiras.

*Com informações da assessoria de imprensa

 

FONTE: OCP NEWS 

Estudante da UFG com autismo rompe barreira e cria podcast feito por e para autistas Acadêmico de Jornalismo, Tiago Florêncio chama a plataforma de Introvertendo: um podcast onde autistas conversam

Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tiago Florencio tem, desde que entrou no curso, militado pela causa que lhe toca: o Autismo. Diagnosticado desde 2014, Tiago usa as ferramentas que o curso e a vivência na universidade lhes dão em prol da sua causa. Dessa vez, ele criou um podcast feito por e para autistas.

Acessado por meio de uma plataforma online com os episódios, o podcast é o primeiro no Brasil feito unicamente para tratar deste tema. Tiago teve a ideia de formular a plataforma em uma disciplina do curso de jornalismo.

Tinha que pensar em um produto e, conversando com um amigo que tem autismo, viu a necessidade de ter algo da comunicação voltado para esse grupo. “Enquanto a gente conversava, esse amigo me falou que nós estávamos fazendo uma coisa que as pessoas acham que não somos capazes: conversar”, disse.

Os programas, então, são feitos no formato de conversa entre Tiago e a pessoa convidada da vez. O Introvertendo, nome que ele batizou o projeto, hoje ultrapassa os limites da disciplina do curso e já é um site com domínio próprio e bem estruturado. Hoje ele é ligado ao programa Saudavelemente, da UFG, que oferece assistência sobre as questões de saúde mental à comunidade universitária.

Militância

Como já dito, Tiago foi diagnosticado com a Síndrome de Asperger, outro nome dado ao espectro, há quatro anos apenas. Um ano depois, ele entrou na universidade e lá participa de todos os eventos de inclusão que consegue para falar sobre o ponto de vista de um autista.

“Eu ia a muitos eventos sobre autismo, e sempre tinham muitos especialistas bons na mesa, mas nunca tinha um autista falando, alguém com quem eu pudesse me identificar”, conta. Por isso, resolveu ele mesmo ocupar esse lugar.

Na semana passada, em uma mesa sobre inclusão na universidade, Tiago apresentava o Introvertendo. Os temas dos programas vão desde música, cinema a discussões sobre depressão e homossexualidade, por exemplo.

Em outras abas da plataforma, Tiago explica o que é o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e, inclusive, apresenta a discussão sobre o termo usado como sinônimo “Síndrome de Asperger”. Há um debate para se abandonar o termo, pois há registros de que o médico pediatra Hans Aperger, homenageado no nome, teria contribuído com o Nazismo.

No entanto, ele lembra que as pessoas, que estão na ponta leve do espectro, gostam de se definir como “aspies” e não como autistas. “Pelo fato do autismo ser extremamente complexo, adotar um termo só para autistas leves facilita um senso de identificação pessoal e um sentido de comunidade”, explica em um dos motivos elencados na plataforma.

O site é alimentado por ele e mais sete pessoas de diferentes áreas. Todas diagnosticadas com autismo. Os integrantes são a maioria estudantes da UFG e tem desde membros do curso de Medicina a estudante de Artes Cênicas, o que garante a diversidade de temas tratados pelo programa.

O podcast pode ser acessado neste link e já conta com 24 programas lançados semanalmente. No entanto, Tiago conta que já tem outros prontos para divulgar nas próximas semanas.

Novo sucesso com método que permite a pessoas paralisadas andarem

Cientistas suíços relatam nesta quarta-feira novo sucesso com método que permite a pessoas paralisadas há anos por lesões na coluna se levantarem e caminharem com mínimo de assistência. Assim como em experimentos independentes divulgados por dois grupos de pesquisadores americanos no fim de setembro , os suíços da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) e do Hospital Universitário de Lausanne uniram estimulação elétrica direta da medula espinhal com técnicas de fisioterapia e reabilitação para que três pacientes antes paralisados por ferimentos nas vértebras cervicais (as mais “altas” da coluna, na altura do pescoço) agora possam caminhar com auxílio de muletas ou andadores para apoio e equilíbrio.

Mais que nos experimentos americanos, no entanto, os cientistas suíços afirmam no artigo publicado nesta tarde na prestigiada revista científica “Nature” que os benefícios que os pacientes obtiveram com sua versão do método – que usa uma estimulação mais “dirigida” em termos espaço-temporais – foram além de poderem se levantar e andar com os aparelhos ligados. Segundo eles, após alguns meses os participantes também recuperaram o controle voluntário de músculos antes paralisados, podendo se movimentar independentemente, ainda que de forma limitada, mesmo quando eles estavam desligados, numa indicação de reabilitação neurológica com a criação de novas conexões nervosas.

– Nossos achados se baseiam em um profundo entendimento dos mecanismos subjacentes (do método) que ganhamos ao longo de anos de pesquisas com modelos animais – lembra Grégoire Courtine, neurocientista da EPFL e um dos líderes do experimento. – Assim, fomos capazes de mimetizar em tempo real como o cérebro ativa naturalmente a medula espinhal. A localização e momento exatos da estimulação elétrica são cruciais para o paciente produzir o movimento pretendido. E também é esta coincidência espaço-temporal que desencadeia o crescimento de novas conexões nervosas.

Já Jocelyne Bloch, cirurgiã responsável pelo implante dos aparelhos na coluna lombar dos pacientes, destaca que em apenas uma semana todos eles já podiam andar usando seu peso corporal.

– Soube imediatamente que estávamos no caminho certo – comemora. – A estimulação dirigida tem que ser precisa como um relógio suíço. No nosso método, implantamos uma rede de eletrodos na medula espinhal que nos permite focar em grupos de músculos individuais nas pernas. Configurações selecionadas dos eletrodos então ativam regiões específicas da medula espinhal, imitando os sinais que o cérebro enviaria para que se ande.

Segundo os pesquisadores, o maior desafio dos pacientes foi aprender a coordenar a intenção de andar em seus cérebros com a estimulação elétrica direcionada. Em estudos prévios que usaram abordagens mais empíricas, como uma estimulação mais geral e contínua, algumas pessoas paralisadas de fato puderam dar alguns passos com ajuda de muletas ou andadores, mas só andaram por curtas distâncias e quando os aparelhos estavam ligados, voltando a ficar paraplégicos assim que eles eram desligados.

Mas com os novos protocolos de reabilitação baseados na estimulação direcionada e um sistema inteligente de suporte corporal, os pacientes suíços puderam treinar a capacidade de caminhar naturalmente por longos períodos de tempo. Assim, durante as sessões de reabilitação, os três foram capazes de caminhar sem se apoiarem com as mãos por mais de um quilômetro, não apresentando fadiga dos músculos da perna, que também ganharam massa.

Esse treinamento intenso teria ainda sido um estímulo fundamental para disparar a chamada “plasticidade atividade dependente”, a capacidade intrínseca do sistema nervoso de reorganizar suas vias nervosas diante de novas demandas, que levou às melhorias de sua função motora mesmo quando os aparelhos estão desligados.

– Todos três participantes do estudo foram capazes de andar com suporte de seu peso corporal em apenas uma semana de calibragem, e o controle voluntário dos músculos melhorou imensamente com cinco meses de treinamento – conclui Courtine. – E o sistema nervoso humano respondeu muito mais profundamente ao tratamento do que esperávamos.

Paraplégico desde 2011, quando sofreu um acidente de trânsito enquanto pedalava de volta para casa do trabalho quando morava na China, o holandes Gert-Jan Oskam, um dos voluntários do experimento, lembra que os médicos disseram que ele “nunca mais voltaria a andar”.

– Mas agora posso andar pequenas distâncias com ajuda de muletas e da estimulação elétrica, e mesmo sem a estimulação elétrica – comemora. – Minha força muscular melhorou substancialmente e num futuro próximo espero poder fazer um churrasco ficando de pé por mim mesmo.

 

FONTE: O Globo

CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA TEM DIREITO A EDUCADOR ESPECIAL EM SALA DE AULA

 Proclama o Art. 208, Inciso III, da Constituição Federal de 1988:

“Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Destarte, assegurar a presença de educador especial em sala de aula a toda criança portadora de deficiência não se reveste como política discricionária da Administração Pública, muitos menos pode encontrar escusa na carcomida teoria da reserva do possível. Trata-se de dever do Estado, que deve ser priorizado pelo Agente Público.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, como não poderia ser diferente, também repete em seu Art. 54, Inciso III, o mandamento constitucional que obriga o Estado a assegurar à criança atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

A Lei 9.394/96, chamada Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional, também assegura atendimento educacional especializado aos educandos com deficiência:

“Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:

III – atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino”.

“Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.

  • 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.

  • 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.

  • 3º A oferta de educação especial, nos termos do caput deste artigo, tem início na educação infantil e estende-se ao longo da vida, observados o inciso III do art. 4º e o parágrafo único do art. 60 desta Lei.

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:

I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;

II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;

III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;

IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;

V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.

Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.

Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo”.

A nova Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), assegura sistema educacional inclusivo em todos os níveis à pessoa com deficiência, com a oferta de professores para o atendimento educacional especializado:

“Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”.

“Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:

X – adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado;

XI – formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Líbras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio;

XVII – oferta de profissionais de apoio escolar”.

A vetusta Lei 7.853/89, que dispõe sobre o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências, visando sua efetiva integração social, preconiza:

“Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.

Parágrafo único. Para o fim estabelecido no caput deste artigo, os órgãos e entidades da administração direta e indireta devem dispensar, no âmbito de sua competência e finalidade, aos assuntos objetos esta Lei, tratamento prioritário e adequado, tendente a viabilizar, sem prejuízo de outras, as seguintes medidas:

I – na área da educação:

  1. a) a inclusão, no sistema educacional, da Educação Especial como modalidade educativa que abranja a educação precoce, a pré-escolar, as de 1º e 2º graus, a supletiva, a habilitação e reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios;

  1. b) a inserção, no referido sistema educacional, das escolas especiais, privadas e públicas;

  1. c) a oferta, obrigatória e gratuita, da Educação Especial em estabelecimento público de ensino;

  1. d) o oferecimento obrigatório de programas de Educação Especial a nível pré-escolar, em unidades hospitalares e congêneres nas quais estejam internados, por prazo igual ou superior a 1 (um) ano, educandos portadores de deficiência;

  1. e) o acesso de alunos portadores de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive material escolar, merenda escolar e bolsas de estudo;

  1. f) a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino”.

A Lei 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, determina ao Poder Público:

“Art. 3º São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista:

IV – o acesso:

  1. a) à educação e ao ensino profissionalizante;

Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante especializado”.

Como se vê, a legislação brasileira torna inaceitável e inadmissível a recusa de oferta regular de educador especial à criança portadora de deficiência.

Oportuno consignar que a garantia constitucional (e legal) de atendimento educacional especializado às crianças portadoras de deficiência também se aplica irrestrita e incondicionalmente à rede privada de ensino (escolas particulares), como decidiu o Supremo Tribunal Federal quando do julgamento da ADI 5357:

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. LEI 13.146/2015. ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. ENSINO INCLUSIVO. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. INDEFERIMENTO DA MEDIDA CAUTELAR. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 13.146/2015 (arts. 28, § 1º e 30, caput, da Lei nº 13.146/2015). 1. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência concretiza o princípio da igualdade como fundamento de uma sociedade democrática que respeita a dignidade humana. 2. À luz da Convenção e, por consequência, da própria Constituição da República, o ensino inclusivo em todos os níveis de educação não é realidade estranha ao ordenamento jurídico pátrio, mas sim imperativo que se põe mediante regra explícita. 3. Nessa toada, a Constituição da República prevê em diversos dispositivos a proteção da pessoa com deficiência, conforme se verifica nos artigos 7º, XXXI, 23, II, 24, XIV, 37, VIII, 40, § 4º, I, 201, § 1º, 203, IV e V, 208, III, 227, § 1º, II, e § 2º, e 244. 4. Pluralidade e igualdade são duas faces da mesma moeda. O respeito à pluralidade não prescinde do respeito ao princípio da igualdade. E na atual quadra histórica, uma leitura focada tão somente em seu aspecto formal não satisfaz a completude que exige o princípio. Assim, a igualdade não se esgota com a previsão normativa de acesso igualitário a bens jurídicos, mas engloba também a previsão normativa de medidas que efetivamente possibilitem tal acesso e sua efetivação concreta. 5. O enclausuramento em face do diferente furta o colorido da vivência cotidiana, privando-nos da estupefação diante do que se coloca como novo, como diferente. 6. É somente com o convívio com a diferença e com o seu necessário acolhimento que pode haver a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, em que o bem de todos seja promovido sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (Art. 3º, I e IV, CRFB). 7. A Lei nº 13.146/2015 indica assumir o compromisso ético de acolhimento e pluralidade democrática adotados pela Constituição ao exigir que não apenas as escolas públicas, mas também as particulares deverão pautar sua atuação educacional a partir de todas as facetas e potencialidades que o direito fundamental à educação possui e que são densificadas em seu Capítulo IV. 8. Medida cautelar indeferida. 9. Conversão do julgamento do referendo do indeferimento da cautelar, por unanimidade, em julgamento definitivo de mérito, julgando, por maioria e nos termos do Voto do Min. Relator Edson Fachin, improcedente a presente ação direta de inconstitucionalidade.

(ADI 5357 MC-Ref, Relator (a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 09/06/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-240 DIVULG 10-11-2016 PUBLIC 11-11-2016)”.

A par de todo esse calhamaço legal, inclusive de envergadura constitucional, a realidade das crianças brasileiras é outra, bem distante da promessa legislativa de reconhecer sem discriminação o direito das pessoas com deficiência à educação.

A garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis do ensino, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida para pessoas com deficiência, ainda carece de boa vontade política em boa parte do território brasileiro, em todas as esferas de governo.

Não são raros os casos em que uma política inclusiva de fortalecimento do respeito pelos direitos humanos das pessoas com deficiência, no plano escolar, é substituída por alguns dias de suspensão das aulas “por comportamento inadequado” (!!!), com direito àquela advertência de praxe dirigida aos pais anotada na agenda da criança especial.

Também sobejam pedidos para que a criança portadora de deficiência faça a deglutição de medicamentos para que se transforme num zumbi adormecido em sala de aula, na contramão de qualquer sistema educacional inclusivo.

Vencidos pelo desânimo, muitos pais de crianças portadoras de deficiência encontram na evasão escolar um alento para o cruel e ímprobo comportamento da Administração Pública quando sonegada a garantia fundamental – constitucional e legal! – ao educador especial em sala de aula.

Em verdade, ainda existe um longo caminho a se percorrer para a promoção e proteção dos direitos humanos das pessoas com deficiência, inclusive daquelas que requerem maior apoio, em nosso País.

Em todo o caso, devem sempre os pais de crianças portadoras de deficiência baterem às portas da Justiça para assegurar aos seus filhos um sistema educacional inclusivo, fazendo valer seu direito a educador especial em sala de aula.

 

FONTE: JusBrasil

EM CADEIRA DE RODAS, MULHERES MOSTRAM O PODER DA “DANÇA DO VENTRE SEM LIMITES” Independente da deficiência e do nível de mobilidade, elas encontraram a chave para uma autoestima mais saudável pela dança

Com o apoio da professora e terapeuta ocupacional Lisa Lima, as bailarinas Ana Serpa, Eline Pinheiro, Marília Oliveira, Mirella Ballatore, Flávia Pieretti e Suzana Vieira inspiram e incentivam umas às outras diariamente. Elas fazem parte do primeiro grupo formado por mulheres com deficiência em Mato Grosso do Sul no projeto “Dança do Ventre Sem Limites”, que começou há 2 meses.

Flávia Pieretti, 40 anos, pensou na atividade porque sempre viu a dança como uma oportunidade de luta e empoderamento da mulher com deficiência. “Devido a condição, vulnerabilidade e preconceitos que enfrentam desde a infância. Em muitos casos essas mulheres têm a autoestima baixa”.

A disponibilidade da professora Lisa Lima, 40 anos, foi essencial para colocar as meninas para dançar. “Como ela é terapeuta ocupacional, já atendia mulheres com algum tipo de deficiência. E eu conversei com ela sobre esse sonho que tinha, de que realmente a música poderia contribuir para a autoestima de mulheres com deficiência, escrevi o projeto e ela concordou. Nós finalizamos juntas e desde então ela é voluntária na sede da Associação de Mulheres com Deficiência Física e nos ensina uma vez por semana”, conta Flávia.

Uma apresentação de Eline Pinheiro Palhano, 46 anos, que já é aluna de Lisa há 1 ano, foi a inspiração para o projeto. Ela está atualmente afastada do grupo por motivos de saúde, mas já faz planos para o retorno aos palcos. A poliomielite a colocou na cadeira de rodas, e o desafio a partir dali sempre foi reforçar o emocional. “Tinha uma depressão muito forte e fazia tratamento com psiquiatra e psicólogo, foi aí que tive a ideia de começar a fazer dança com ela. Me achava feia, emagreci muito com a depressão e a Lisa me ajudou. Mais que uma professora, ela é uma amiga, há muito tempo. Hoje me vejo mais bonita, cuido mais do meu cabelo, do meu corpo. Também tem as amizades que fazemos lá, não é apenas uma escola de dança, é uma família”.

Na relação das alunas com a professora existe um laço de confiança mútua em que a capacidade de aprender umas com as outras é renovada a cada semana. Quando questionada sobre as aulas Ana Serpa, paratleta brasileira de tiro esportivo, não esconde a admiração. “A Lisa tem muita sensibilidade, ela como tem muita experiência nessa área da dança do ventre, além de desenvolver a coreografia, presta muita atenção nas necessidades de cada uma, por essa questão de deficiência, a professora faz algumas mudanças e adaptações para que de alguma forma todas se sintam bem”.

Desde o começo, a professora de dança leva em conta a mobilidade de cada aluna. “Desenvolver a coreografia é um processo. Estamos nos descobrindo e o espetáculo mostra que elas são capazes, que cada uma pode o que quiser, mesmo com limitações”, afirma Lisa, que diz aprender muito também. “Eu saio das aulas e digo que elas estão me ajudando, que aprendo a renovar a alegria de viver com elas durante o tempo que passamos juntas”.

O grupo tem feito cada vez mais apresentações desde que os ensaios começaram. Para Suzana Vieira cada apresentação “é um turbilhão de emoções”. Ela diz que antes de subir a maior expectativa é sobre a reação do público, particularmente, em relação aos cadeirantes. “Os deficientes físicos são vistos como um tabu, eles não podem sair, não podem se arrumar, não podem namorar, não podem dançar, eles precisam ser dependentes de alguém. Quando mostramos que nós não somos dependentes, as pessoas começam a nos enxergar de outra forma. Aí tem o preconceito, tem os maus comentários, mas também tem as outras coisas que tiramos disso. A dança é também uma maneira de resistir.”

Com o rosto iluminado pela alegria de estar ali, Ana complementa a fala da amiga Suzana, deixando claro que elas pretendem mostrar que toda mulher consegue. “A arte de viver, a vida é só uma e passa rápido, é difícil, mas todas nós podemos. É um dia de cada vez”.

Flávia ressalta que o importante “é a participação ativa dessas mulheres, nos eventos, nos seminários que realizamos, convidando outras mulheres e empoderando outras mulheres. Fazemos rodas de conversa com mulheres com deficiência, falamos de temas diversificados para que realmente essas mulheres se sintam plenas na sociedade, não se sintam nem um pouco diminuídas, não se sintam desvalorizadas, são mulheres com todos os direitos capazes de viver uma vida plena”.

A previsão é que no mês de dezembro o grupo realize um espetáculo inédito em Campo Grande, com cerca de 10 apresentações de danças diferentes. O grupo está em busca de patrocínio e paralelamente organiza ações para ajudar no custo das roupas, maquiagem e ampliar a participação em eventos.

O projeto está aberto especialmente para mulheres com deficiência. Para participar é necessário fazer parte da AMDEF e, para isso, basta procurar a presidente da associação de mulheres com deficiência, Mirella Ballatore. Existe uma taxa de contribuição voluntária em que o valor é estipulado por cada associada para apoiar as ações e participações em eventos, impressões de documentos entre outras atividades.

Convites para apresentações também podem ser feitos pela página da AMDEF no facebook ou em contato direto com a própria Mirella Ballatore, pelo número de whatsapp: 67 9226-0661.

FONTE: APNEN