O QUE ACHEI: THE GOOD DOCTOR

Em “The Good Doctor” ou como é chamado no Brasil O bom doutor, o Dr. Shaun Murphy (Freddie Highmore) inicia a sua residência como cirurgião no San Jose St. Bonaventure Hospital. O detalhe é que Shaun é portador de autismo e savantismo e precisa superar o ceticismo e a desconfiança de seus colegas e provar, especialmente para os chefes e diretores, que tem condições de ser um dos melhores médicos do hospital. E pode-se dizer que a capacidade de Shaun de pensar “fora da caixa” é proporcional a sua falta de tato social.

A série é baseada no K-Drama “Good Doctor” (굿닥터, 2013) e vem sendo produzida por Daniel Dae Kim (ator das séries “Lost” e “Hawaii Five-0”) e David Shore (responsável pela série “House”). O principal diferencial desta série em relação aos outros (vários) dramas médicos é o olhar mais aprofundado sobre os portadores do autismo, mostrando suas dificuldades em se expressar e se relacionar e os esforços positivos de seus colegas para tentar se aproximar de Shaun.

Entretanto, cabe observar que Shaun basicamente só foi contratado pelo hospital por sua genialidade, pelo savantismo. Pelo fato de o personagem apresentar as duas condições, os espectadores podem ser erroneamente levados a acreditar que essas condições sempre ocorrem simultaneamente. Seria interessante que a série mostrasse mais os diversos graus do autismo, com outros personagens (assim como fizeram brevemente em alguns episódios), para tentar diminuir um pouco o “romantismo” em cima disso.

Esta primeira temporada ainda explorou um pouco do tema do assédio sexual, envolvendo a personagem Claire (Antonia Thomas). Foi boa a forma como a questão foi conduzida e até mesmo os eventos que se seguiram mostraram que, assim como ainda acontece na vida real, não há uma punição efetiva para quem é poderoso, infelizmente. Mas, como o caso não foi completamente concluído, seria interessante ver Claire lidando novamente com este problema em uma temporada futura.

Os episódios seguem mais ou menos um mesmo padrão, onde os residentes precisam lidar com um caso fora do padrão e, eventualmente, Shaun acaba tendo as ideias mais extraordinárias, depois de um breve período de reflexão, com efeitos que lembram muito os momentos de reflexão do Sherlock da série da BBC. A direção de arte também merece menção positiva, com réplicas de órgãos bastante realistas, que ajudam a série a ter algum pé na veracidade (uma vez que muitos eventos da série são bastante bizarros para serem factíveis).

Sem dúvida nenhuma, Freddie Highmore é o maior destaque da série. Na pele de mais um protagonista, o talentoso ator demonstra domínio total de seu personagem, com trejeitos, olhares, expressões e entonações da voz, além de um grande carisma e uma presença que quase faz com que ele domine todas as suas cenas. Não seria estranho vê-lo na lista de indicações a Melhor Ator no Emmy deste ano. Os demais atores estão bem, mas ainda não dá para se afeiçoar tanto aos seus personagens.

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Ricardo
Falar sobre si não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Acho que por isso mesmo adiei tanto a atualização dessa página! Mas vamos tentar né? Você já teve a chance de conviver com um capricorniano? Pois é, aquele jeito louco, sonhador, aventureiro, e nem sempre com os dois pés no chão… Esse sou EU! Ricardo Tostes Pinto Perdigão, ou pra vocês, apenas Ricardo Tostes.

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