ONDE ESTÃO AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA?

ONDE ESTÃO ESSAS PESSOAS?

Quando lemos textos nas redes sociais e revistas, ou assistimos aos telejornais, são tantas estatísticas que nos são apresentadas, dos mais diversos assuntos (exceção para os últimos meses, que temas de Brasília e da Copa do Mundo monopolizam o noticiário) que, muitas vezes, não nos damos conta do significado na vida “real” daqueles números. Esse texto se destinará a falar sobre e, principalmente, tentar encontrar um grupo de brasileiros que representa quase um quarto da população.

QUE GRUPO É ESSE?

Vamos imaginar que estamos no dia 3 de dezembro, conhecido como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Saíram (não muitas, mas algumas) notícias, reportagens sobre eventos, projetos envolvendo pessoas com deficiência no Brasil, e em algum lugar do texto aparece que aproximadamente 23,92% da população brasileira possui algum tipo de deficiência em diferentes graus, algo que gira em torno das 45.623.910 pessoas, quase 46 milhões de brasileiros.

NOSSA, É MUITO DIFÍCIL PARA O CADEIRANTE ANDAR NESSAS CALÇADAS ESBURACADAS!

Quantas vezes não é esse o primeiro pensamento que nos vem à cabeça ao imaginarmos a figura da pessoa com deficiência. O cadeirante que desvia do buraco da rua, o amputado, o cego com a bengala parado no semáforo. Sim, essas pessoas também são pessoas com deficiência, mas será mesmo que juntas correspondem a quase um quarto da população brasileira?

DEFINITIVAMENTE NÃO.

Caso afirmativo, seria via de regra que em cada ônibus tivesse pelo menos um quarto de pessoas utilizando cadeiras de rodas, bengalas, cão-guias. Mas aí entra a discussão sobre acessibilidade e inclusão social, o debate segue para diferentes direções, porém o foco agora é entender quem são esses quase 46 milhões de pessoas que possuem algum tipo e grau de deficiência visual, auditiva, motora, mental ou intelectual.

COMEÇANDO A ENCONTRÁ-LAS.

Eu sou uma delas, tenho visão monocular do olho direito, traduzindo: enxergo somente com o olho direito pois tive glaucoma congênito. Tenho amigos surdos, amputados e cegos, que também fazem parte do grupo. Tenho uma vizinha, senhora muito simpática com seus 70 anos que gosta de passear pelo bairro com sua bengala, mas leva vários tombos porque possui mobilidade reduzida e as calçadas irregulares não ajudam. Semana passada, fui fazer uma visita a uma amiga que fraturou o pé decorrente de uma torção em um buraco na calçada. Ela ficará, no mínimo, quarenta dias com uma bota imobilizadora, tendo sua mobilidade reduzida por esse período, apresentando uma deficiência temporária.

O GRUPO ESTÁ CRESCENDO…

Eu, meus amigos e vizinhos fazemos parte desse grupo hoje, assim como alguns de vocês no presente e no futuro também. Todos àqueles que, com o avançar da idade do corpo físico, sentirem as perdas das habilidades físicas e motoras afetarem seu estilo de vida. Ou que, por acidentes diários (como o da minha amiga que fraturou o pé na calçada irregular), acidentes de trânsito ou violência urbana, sofrerem qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, em princípio, refletindo distúrbios no nível do órgão.

Esse é o conceito de deficiência segundo a Organização Mundial da Saúde, nesse sentido, todos temos ou teremos uma deficiência um dia na vida, pois o corpo biológico tem suas funções limitadas com o passar dos anos.

DEFICIÊNCIA NÃO É INCAPACIDADE.               

Talvez a grande confusão more aqui, em insistirmos em olhar e tratar a perda de uma função orgânica como deficiência, falta de eficiência! Incapaz é aquele que não possui o ambiente de interação acessível e adaptado para suas condições físicas e/ou intelectuais. Incapaz é a sociedade que nega suas deficiências, que limita as pessoas com deficiência a terem acesso a uma experiência plena de vida, que envolve acesso à cidade, à informação, ao lazer e entretenimento, ao mercado de trabalho e à educação. Incapaz é aquele que agride outro ser humano por não ter o corpo considerado “normal”.

Até quando vamos transformar deficiência em incapacidade e exclusão social, cultural, comunicacional, educacional…? Será mesmo que levantar no ônibus para um idoso/gestante/amputado se sentar é suficiente para nosso papel de cidadão? Estamos mesmo fazendo nossa parte para a inclusão?

Enquanto nos recusamos a nos enxergar dentro dos 46 milhões com deficiência em algum momento da vida, continuaremos somando ao grupo dos incapazes.

FONTE: Casa adaptada 

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