UM TEXTO PARA A PASSAGEM DE ANO

Poderia começar este texto questionando este símbolo artificial e pouco verdadeiro que é o do ano novo, falar das nossas celebrações vãs, analisar nossas promessas vazias. Não é, porém, o que pensei em fazer. Passei o dia pensando no que há de valoroso nessa simbologia, sabe, coisas de quem não tem muito o que fazer no último dia do ano e prefere olhar-se do que arrumar as coisas velhas no armário.

Esta passagem de ano, o que ela representa de bom para mim? Uma nova etapa, novas oportunidades, um novo começar? – Não. Isso nós temos todos os dias! Encontros e escolhas não são privilégios do primeiro dia do ano. Um repensar, relembrar, pesar, julgar o que passou? – Absolutamente. De julgamentos já me bastam os alheios. Um momento para fazer novos planos? – Se admitisse isso, teria que admitir também que deixei de fazê-los todas as noites antes de dormir. Qual é então o valor que sustenta em mim toda essa bobagem de réveillon? Eis a pergunta que me afligiu durante o dia.

Lembrei-me do sonho que tive e obtive uma resposta, bastante particular e transitória como devem ser todas elas. Na penúltima noite do ano, sonhei com algo que eu quis durante os derradeiros meses dele e me peguei com o mesmo desejo, aquela sempre nova, recorrente, incessante vontade com a qual convivi nos últimos tempos. Desse sonho, conclui que continuava querendo para o dia de amanhã aquilo que quis no dia de ontem. Hoje, um dia de ano novo, de passagem, de mudança, representava para mim apenas a afirmação daquilo que eu fiz e daquilo que eu quis. Nenhum “tenho que”, nenhuma censura, nenhuma recomendação, nenhum demônio onírico me caçando pelas más escolhas, mas a bela e reconfortante sensação de estar no caminho certo. Guardem estas palavras, se quiserem guardar algo deste ano: não se pode contar a felicidade que há em afirmar uma afirmação!

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Ricardo
Falar sobre si não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Acho que por isso mesmo adiei tanto a atualização dessa página! Mas vamos tentar né? Você já teve a chance de conviver com um capricorniano? Pois é, aquele jeito louco, sonhador, aventureiro, e nem sempre com os dois pés no chão… Esse sou EU! Ricardo Tostes Pinto Perdigão, ou pra vocês, apenas Ricardo Tostes.

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