Resenha – A Teoria de Tudo

A história de vida de Stephen Hawking é realmente digna de cinema. A adaptação para as telonas do livro homônimo (escrito por Jane Hawking, ex-esposa do cientista) era algo inevitável e fico feliz em poder afirmar que foi feita da maneira certa. O resultado final é um filme que faz o tempo (objeto de estudo da vida de Hawking) passar voando.

A Teoria de Tudo começa pouco antes de Hawking (Eddie Redmayne) ser acometido pela doença que o privou dos movimentos. Já na faculdade, Hawking demonstra possuir um enorme talento para a Física Teórica, seu brilhantismo já é estabelecido logo no início. Durante uma festa, ele conhece Jane (Felicity Jones), por quem se interessa. Ao contrário do que se espera, Hawking não foi um adolescente sem jeito com as mulheres. Apesar de um pouco desajeitado, ele demonstra desenvoltura ao abordar Jane, conseguindo conquistar a moça com sua inteligência e charme.

Mas não demora muito para notarmos os primeiros sinais de que há algo errado com o rapaz. O que incialmente parece fraqueza, rapidamente evolui, culminando num acidente que leva Hawking a buscar ajuda médica. Já apaixonado por Jane (e ela por ele), ele é diagnosticado com a doença do neurônio motor, uma doença degenerativa progressiva. Nela, os sinais que o cérebro emite e recebe para nos fazer mover são interrompidos. Em sua conversa com o médico, a primeira pergunta de Hawking é, “Mas e o cérebro?” No que o médico responde que o cérebro não é afetado pela doença. Com uma estimativa de vida de dois anos, Hawkings decide se isolar do mundo e faz de tudo para afastar Jane, pois acha que não há chance de um futuro com ela. Mas a garota persiste e, mesmo visivelmente chocada com a degradação física do rapaz, decide ficar com ele até o fim.

É ainda no primeiro ato do filme que presenciamos a rápida evolução da doença. O filme é eficaz ao retratar o horror de perder progressivamente o controle de seu corpo. Sendo Hawking uma pessoa de mente tão rápida, adaptar-se a uma vida lenta em um corpo que não acompanha mais seu cérebro deve ter sido tarefa árdua. Já casado com Jane e preso a uma cadeira de rodas, Hawking passa a depender de Jane para tudo, mas isso não o faz perder o senso de humor afiado e muito menos o faz desistir de sua carreira acadêmica. Sem perder tempo se lamentando, Hawking volta suas atenções às pesquisas e, mesmo com todas as adversidades, logo conquista títulos e reconhecimento mundial.

A Teoria de Tudo foca nos momentos relevantes à jornada de seus personagens principais, passando batido por muitos acontecimentos, como o nascimento do primeiro filho do casal (nem chegamos a ver Jane grávida). O filme não dá muitas voltas e não perde tempo para avançar a trama, de forma que, às vezes, parece ter um pouco de pressa para chegar em determinados momentos e marcos da vida de Hawking. Apesar de um pouco corrido, isto não chega a atrapalhar a experiência. O filme consegue ser bem-humorado (contendo até uma piada referência a Doctor Who) e conta com uma atuação inspirada de Eddie Redmayne que, não apenas se parece fisicamente com Stephen Hawking, mas consegue recriar à perfeição os efeitos da doença. O ator consegue pegar todos os trejeitos e dificuldades do Hawkings da vida real, até mesmo a fala difícil (antes do cientista perder essa capacidade). Felicity Jones também se destaca ao retratar a dedicação e gradual desgaste de Jane.

Apesar de didático e muito certinho (como a maioria das cinebiografias), A Teoria de Tudo é eficaz ao adaptar parte da vida de Stephen Hawking para as telonas sem apelar para o drama barato. O filme peca por não explorar os momentos mais polêmicos e escândalos da vida do cientista e ser um pouco apressado, mas cumpre a missão.

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Ricardo
Falar sobre si não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Acho que por isso mesmo adiei tanto a atualização dessa página! Mas vamos tentar né? Você já teve a chance de conviver com um capricorniano? Pois é, aquele jeito louco, sonhador, aventureiro, e nem sempre com os dois pés no chão… Esse sou EU! Ricardo Tostes Pinto Perdigão, ou pra vocês, apenas Ricardo Tostes.

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