ZOOTERAPIA: CONTATO COM BICHOS PODE CURAR DOENÇAS Cães, gatos, cavalos, pássaros e peixes, são alguns dos animais muito usados na zooterapia – a ciência que estuda as possibilidades terapêuticas do contato com os bichos

Desde a mais remota antiguidade os bichos fazem parte do cotidiano dos homens, seja como alimento, força de trabalho, ou, simplesmente, como companhia, os famosos pets, termo em inglês para designar os bichinhos de estimação. Mas nem todos sabem que os animais também podem ter grande contribuição em uma área específica da medicina, denominada zooterapia, cujas técnicas são utilizadas para o tratamento de inúmeras doenças, tanto psicológicas quanto físicas.

Esse tipo de contato com os animais, incluindo cães, gatos, cavalos, peixes, tartarugas, pássaros e outros, vem proporcionando o aumento da afetividade, do ânimo e da socialização de jovens, adultos e idosos. É o que mostra o projeto “Desenvolvendo a afetividade de idosos institucionalizados através dos animais”, implantado desde 2006 pela professora Maria de Fátima Martins, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP).

 

 

A zooterapia é uma ciência que visa estudar a interação do ser humano com o animal, mas sob o ponto de vista terapêutico e educacional. Ou seja, não mais o bicho como comida, não mais como companhia, mas sim estudado e colocado de forma a ajudar as pessoas, sobretudo quando elas se encontram em situações de estresse e depressão.

Alguns animais, como o cavalo, são importantes para o tratamento de doenças físicas, sendo reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina para o tratamento de diversas doenças e limitações. No caso da hipoterapia, os movimentos do cavalo são parecidos aos do homem. Pacientes com algum tipo de deficiência motora que montam esses animais acabam por receber estímulos de forma repetida no sistema nervoso central, desencadeando respostas positivas. Dentre os benefícios, há a melhora no desenvolvimento motor, maior adequação do tônus muscular, melhora na coordenação motora e no controle da cabeça e do tronco, proporcionando maior equilíbrio.

 

 

Métodos zooterapêuticos começaram a ser utilizados no final do século 19, na Bélgica, quando médicos perceberam que pacientes que sofriam de algum tipo de deficiência mental passavam a se socializar melhor devido ao convívio com animais, se tornando menos agressivos. Na Inglaterra, nos anos 30, pesquisadores descobriram um fato curioso: os idosos que iam para os asilos, mas que podiam levar seus animais, tinham uma socialização e independência maior do que aqueles que não os levavam. Em 1942, nos Estados Unidos, terapeutas sentiram o benefício do uso da zooterapia em pacientes com desordens físicas e mentais.

No Brasil, em 1950, a professora Nise da Silveira – célebre psiquiatra e psicoterapeuta – começou a tratar pacientes esquizofrênicos com cães e gatos, batizando esses animais de coterapeutas. O interesse voltou a surgir a partir dos anos 90, quando foram implantados os primeiros centros de atendimento de terapia assistida por animais. Em setembro de 2000, acontece no Rio de Janeiro, a 9ª Conferência Internacional sobre Interações Homem/Animal, despertando diferentes profissionais de saúde e afins, para atuação e pesquisas científicas nas atividades e terapias assistidas por animais. Os cães, sobretudo, têm sido usados como facilitadores para profissionais das áreas de terapia ocupacional, fisioterapia, psicologia, biologia, veterinária, fonoaudiologia, pedagogia e psiquiatria.

Para cada paciente, um bicho

A empatia entre o paciente e o animal é uma das primeiras preocupações dos zooterapeutas. Para isso, entra em jogo o papel do psicólogo para avaliar o comportamento e a vida passada do paciente, indicando o tipo de bicho a ser adotado no tratamento. No caso do cão, por exemplo, ele tem que ser de temperamento dócil, responder a alguns tipos de comandos básicos e estar em perfeitas condições de saúde para ser um “zooterapeuta”. O maior benefício da zooterapia é referente à socialização, independente do tipo de animal. Para uma pessoa que está desvalorizada, ou desmotivada, o bicho traz um novo ânimo, afirmam os especialistas.

Os benefícios da zooterapia

* Melhora o sistema imunológico.

* Estimula a interação social. Crianças veem os cães como seus amigos especiais, membros importantes da família. Crianças com traumas severos, como abusos de infância que impedem a formação de vínculo com outras pessoas podem, através dos cães, conquistar confiança e formação de vínculos.

* Ajuda a lidar com o luto: trabalho com doença e morte de um cão.

* Facilita o processo de aprendizagem tais como leitura, memorização, concentração e socialização. Há programas em que as crianças leem para os cães. A princípio essa ideia chegou a ser rejeitada por muitas pessoas, mas experiências comprovaram que as crianças não tinham grande preocupação em ler em voz alta para o cão, pois ele não poderia censurá-las e nem corrigi-las.

* Diminui o nível de estresse. Na interação homem-cão, há uma mudança química no organismo onde endorfinas são produzidas no sistema imunológico. Ao contrário da situação de estresse, onde há supressão dessas substâncias no organismo.

* Abaixa o nível de risco em doenças cardiovasculares.

* Facilita a autoconfiança, resgata a autoestima e reduz a inibição.

* Melhora as capacidades motora, cognitiva e sensorial. Pode ser de grande ajuda na psicoterapia, pois os animais fazem a ponte com o terapeuta e este pode alcançar o paciente mais rapidamente.

* Nos autistas, proporciona melhora na capacidade de comunicação e na sensibilidade e interação.

* Crianças e adolescentes com ansiedade ficam mais calmos na presença dos animais.

* Facilita o processo de aprendizagem através da expressão de sentimentos e motivação.

Ao lado da zooterapia com fundamento científico teórico e prático, existem também muitas curiosidades relativas aos benefícios terapêuticos que os animais proporcionam aos humanos.

 

Bebês mais inteligentes com os golfinhos

Curiosamente, o estado de bem-estar, tranquilidade e relaxamento induzido pelo contato com os animais e claramente mais forte quando os pacientes são crianças. Inclusive crianças que ainda não nasceram, como no caso da terapia pré-natal com golfinhos.

Supõe-se, de fato, que as ondas sonoras produzidas pelos golfinhos sejam capazes de estimular o sistema nervoso dos bebês que ainda se encontram no ventre materno. Os sons e ultrassons emitidos pelos golfinhos, com efeito, poderiam facilitar uma harmonização da atividade cerebral hemisférica, já que sabidamente os bebês no ventre materno são capazes de perceber os sons provenientes do mundo exterior. Na foto: Ety Napadenschi, no oitavo mês de gravidez, deixa que um golfinho encoste o nariz na sua barriga durante uma sessão de terapia pré-natal com golfinhos em um hotel de Lima, no Peru. © Pilar Olivares/Reuters

 

Os poderes de cura da tartaruga

Na foto, um homem carrega uma tartaruga de água doce. Segundo as tradições populares do Camboja, o contato com esse animal ajuda na cura de reumatismos e outras doenças. A tartaruga não é o único animal ao qual são atribuídos poderes de cura. Também as vacas e as serpentes são muito usadas com tais finalidades.  Chor Sokutnhea/Reuters

 

A medicina do peixe-vivo

Em Hyderabad, na Índia, por exemplo, todos os anos, no mês de junho, celebra-se o “Festival da Medicina do Peixe”. O evento atrai centenas de milhares de indianos que sofrem de problemas respiratórios. Todos eles se põem em fila, à espera de engolir peixinhos vivos para a cura da asma e de outras afecções.

Essa terapia singular, que não possui nenhuma base científica, tem origem nos conselhos de um guru hindu que viveu há quase dois séculos. © Krishnendu Halder/Reuters

Abelha contra sinusite

A foto mostra um menino palestino sofredor de sinusite crônica que é submetido – contra a sua vontade, é claro – a uma sessão de apipuntura em um centro especializado na Península de Gaza. O veneno das abelhas é utilizado desde a remota antiguidade para curar numerosos distúrbios: artrite, ciática, poliartrite, nevralgias, gota, tendinite. Segundo a medicina oficial, no entanto, essa prática não possui nenhuma base científica. © Suahib Salem/Reuters

 

Cirurgião sugador

Na foto, uma mulher russa submete-se a uma sangria à base de sanguessugas em um laboratório de Moscou. Esses vermes anelídeos são utilizados na medicina há mais de 3 mil anos por causa da sua capacidade de aspirar e retirar sangue do organismo ao qual se fixam. As sanguessugas são, hoje, muito usadas nos centros de cirurgia plástica. Sua mordida injeta na vítima um poderoso anticoagulante, tornando-as dessa forma muito úteis na substituição da circulação venosa nas zonas operadas. As sanguessugas são usadas para aspirar e remover o “sangue sujo” dos pacientes em áreas onde as veias ainda se encontram em fase de reconstrução. © Reuters

 

Peixinho faxineiro

Deixar-se curar por um peixe? Há poucos anos dizer isso parecia piada, mas hoje é uma das últimas tendências em matéria de beleza. Imergem-se os pés em tanques cheios do peixinho Garra rufa obtusas. Assim que a pele dos pés se torna mais macia por causa da água, os peixinhos começam a comer as células mortas, deixando a pele lisa e macia, além de proporcionarem cócegas agradáveis.  Foto: Umit Bektas/Reuters

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Ricardo
Falar sobre si não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Acho que por isso mesmo adiei tanto a atualização dessa página! Mas vamos tentar né? Você já teve a chance de conviver com um capricorniano? Pois é, aquele jeito louco, sonhador, aventureiro, e nem sempre com os dois pés no chão… Esse sou EU! Ricardo Tostes Pinto Perdigão, ou pra vocês, apenas Ricardo Tostes.

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