Jovem com paralisia cerebral passa no exame da OAB

Sempre vai ter quem nos diga que algo é impossível e sempre vai ter quem nos prove que nada supera o esforço e dedicação para se alcançar um sonho.

Desde seu nascimento, em 14 de setembro de 1991, a pernambucana Melissa Campello desafia prognósticos, tendo médicos ditos que ela viveria como um “vegetal”.

Após um parto difícil e prematuro ao lado de sua irmã gêmea, Mel viveu ano após ano e venceu o bullying, a falta de acessibilidade para cadeirante e os comentários preconceituosos sobre sua paralisia cerebral.

Mas a maior conquista dela estava por vir. Este ano ela passou na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com uma nota de 8.6 no 18° Exame de Ordem Unificado.

“Achei a prova fácil. Durante o teste, ainda podia usar mais uma hora, mas acabei antes”, explicou em entrevista ao Só Notícia Boa.

Durante o curso – Mel formou-se em direito pela Faculdade Guararapes no ano passado – ela chegou a escutar de professores: “Você já fez muito concluindo o curso de direito”, como se a aprovação na OAB fosse algo inalcançável.

Como Mel não consegue escrever, ela utiliza um computador que a escuta e trasncreve o que fala. No dia da prova uma fiscal fez esse papel. “A ajuda de minha professora Schanmkypou Bezerra foi fundamental”, disse.

“Minha filha é uma gladiadora, uma guerreira, fortaleza, exemplo de coragem para muita gente que fica inventando desculpas para não seguir crescendo”, elogia a mãe.

 

FONTE: Só Notícias boas 

Leia 71 Leões, o livro de Lau Patrón sobre maternidade especial, dor e amor

Em julho conversamos com a Lau Patrón sobre a solidão que muitas vezes acompanha a maternidade especial, sobre inclusão, amor e novos projetos – um deles era justamente o livro 71 Leões, que agora está disponível em pré-venda até 21 de outubro aqui (quem garantir a compra nesse período leva para casa surpresas exclusivas, autógrafo da Lau e do João também!).

Lançado pela editora Belas Letras, o livro conta a história dos 71 dias em que Lau morou no hospital para acompanhar a primeira internação do filho, o pequeno João Vicente. Com um ano e oito meses João sofreu um grave AVC. Foi assim que uma doença raríssima chamada Síndrome Hemolítica Urêmica foi descoberta – e foi quando Lau nasceu como mãe especial.
Nessa entrevista, a autora contou um pouco sobre como foi o processo de organizar as ideias e colocar no papel toda a trajetória entre médicos e enfermeiros: “voltar naqueles dias, naquela dor, entrevistar as pessoas que estavam lá comigo, desenhar um mapa dos acontecimentos, foi um processo terapêutico, em primeiro lugar.

Foram vômitos. Um abrir de feridas bastante intenso. Depois precisei questionar o porquê disso tudo ser publicado. E aí, entendi que tive uma forma de lidar com a dor bastante saudável, dentro do possível, e que contar isso sem enfeites poderia ajudar outras pessoas na mesma situação, e outras pessoas em situações completamente diferentes, porque no fundo, dor é dor, entende?”.

O livro é uma espécie de diário formado por cartas de Lau para João e também por narrativas sinceras e cruas sobre o dia a dia na UTI, os medos enfrentados, as descobertas feitas. Tudo com muito pé no chão e sensibilidade – e passando muito, muito longe da romantização do sofrimento materno. Nas palavras da autora: “uma mãe nunca é só uma mãe. É uma mulher, uma filha, uma namorada, um turbilhão. Tem tristeza e alegria no mesmo corpo”.

Outra iniciativa da Lau prevista para este ano era a primeira palestra sobre os temas abordados no Avante Leãozinho, o que aconteceu em uma TED Talk emocionante, que você confere abaixo.

 

 

FONTE: Primistili

MÉDICO CEGO DE SP MANTÉM CONSULTÓRIO, ATENDE EM HOSPITAL E ORIENTA ALUNOS Endocrinologista perdeu totalmente a visão há oito anos e é especialista em tireoide

A rotina do médico endocrinologista Ricardo Ayello Guerra, 47, é pesada como a de qualquer outro profissional de saúde. Ele atende em uma clínica particular e também dá expediente em dois grandes hospitais públicos de São Paulo, onde ainda orienta o trabalho de dezenas de colegas residentes. A diferença é que o doutor Ricardo não tem a visão, é totalmente cego.

Não há segredo nem assistencialismo para o sucesso profissional dele. Sua jornada foi marcada pela construção de um amplo conhecimento técnico e teórico, por adaptações básicas em sua rotina e pela permanente preocupação em prestar um bom serviço ao paciente.

Ricardo se formou em medicina pela Uerj (Universidade do Estado do Rio do Janeiro), uma das melhores do país, especializou-se em tireoide, cujos problemas são muitas vezes detectados pelo toque do médico. Para rotinas diárias, ele tem sempre ao seu lado um profissional de confiança que lê os resultados de exames e resolve questões práticas.

“Durante o período de faculdade, eu ainda tinha um pouco de visão [ele nasceu com retinose pigmentar] e enfrentava mais dificuldades em locais com pouca luz ou para usar instrumentos como o microscópio, pegar uma agulha. Tentava compensar estudando muito, até seis horas por dia”, afirma o médico.

Embora tenha sempre se deparado com questionamentos sobre sua competência e habilidade, de ter sofrido resistência e algum bullying de seus colegas, Ricardo, com apoio familiar e gosto pela prática médica, convenceu-se de que poderia seguir em frente na carreira.

“Ninguém conseguia me dar uma justificativa convincente para fazer eu desistir de ser médico. Passei num vestibular muito difícil, mas até estava disposto a abrir mão se houvesse algo que me impedisse de continuar. Conversei com vários catedráticos que me falaram que eu tinha, sim, condições de exercer a profissão com adaptações, estudos, com muito aprendizado.”

Em disciplinas muito práticas como pronto-socorro ou cirurgia, cumpriu toda a parte teórica, fez provas e foi aprovado. Em histologia -que estuda composição e função dos tecidos vivos- tomou bomba, pois o professor exigia que ele usasse o microscópio.

“Minha sorte foi que esse professor mais tradicionalista se aposentou e o novo que entrou no lugar dele aceitou e achou natural a forma que eu propus para realizar as avaliações, por meio de fotografias 3D. Não me lembro ao certo se fiquei com 9 ou 10.”

A psiquiatria foi uma das primeiras especialidades sugeridas a Ricardo, que já tinha convicção que poderia ser um bom médico de atendimento clínico, trabalhando em consultório. Escolheu a endocrinologia. Fez residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, onde, em 2002, prestou concurso para médico endocrinologista e passou em primeiro lugar.

Ele também é concursado no HSPM (Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo), onde ficou em segundo lugar nas provas. Fez mestrado na Universidade Federal de São Paulo com um trabalho já voltado aos estudos da tireoide.

Há 15 anos, a doença do médico começou a progredir e ele passou a perder gradativamente a capacidade de enxergar. Há oito anos ele é considerado totalmente cego. Ricardo ainda faz reabilitação na Fundação Dorina Nowill para lidar melhor com sua situação de forma independente.

Para a médica Daniela Yone Veiga Iguchi Perez, colega de Ricardo no HSPM, ele é “um médico extremamente competente, referência em conhecimento nas áreas em que atua. Um grande exemplo para os residentes e toda a equipe. Sua deficiência visual, que passa totalmente desapercebida no trabalho que desenvolve na assistência e no ensino, apenas aumenta a admiração que todos temos por ele”.

Duas vezes por semana, o endocrinologista atende em um consultório particular em Atibaia (a 66Km de São Paulo), onde também moram seus dois filhos Leonardo, 12, e Camila, 10. Ele é separado por duas vezes e planeja se casar pela terceira vez em novembro.

“Uma regra de quando saio na rua com meus filhos é a de eles manterem sempre as mãos atadas comigo. Eles ainda perguntam se vou voltar a enxergar e eu digo que não, o que não é fácil, afirma Ricardo.

“Por muito tempo achei que surgiria um tratamento milagroso para o meu caso, hoje, não vivo com essa expectativa. Me preservo, me cuido, mas se surgir algo será lucro. A aceitação da minha condição é um exercício diário e vai durar a minha vida inteira. Não posso dizer que seja algo simples”.

No consultório, além de ter auxílio de programas de computadores específicos para pessoas com deficiência visual, o médico conta com um auxiliar. Suas consultas são longas para captar as nuances dos problemas de seus pacientes e ele não dispensa uma boa avaliação tocando seus pacientes.

“Não tenho como prática falar antecipadamente ao paciente sobre minha condição, pois entendo que isso não levará nenhum benefício a ele. A pessoa chega e é atendida da melhor maneira possível. Se ela pergunta sobre minha visão, explico. Nunca recebi nenhuma reclamação por isso e o meu termômetro é a volta dos pacientes ao consultório. De modo geral, elas voltam.”

Em seu trabalho nos hospitais públicos, o médico faz orientação e debate de casos a respeito de diabetes, obesidade, tireoide entre outros com os residentes.

“O doutor Ricardo é um homem admirável, com conhecimento geral e médico extenso e atualizado. Bastante querido por todos os colegas e pacientes. Nos inspira diariamente, ao demonstrar que sua deficiência não significa, de maneira alguma, uma limitação”, afirma Adriano Radin, residente de endocrinologia do HSPM.

Ricardo, porém, não avalia que tudo seja simples e entende que há, sim, dificuldades para a atuação de pessoas com deficiência em algumas áreas e que é necessário haver coerência.

“Não é possível determinar de antemão o que uma pessoa é capaz de fazer ou não. É preciso dar chances às pessoas, ouvi-las, entendê-las e agir sem preconceito, abrindo os espaços. Nem todo mundo terá características que atendam determinada profissional, mas isso vale para qualquer pessoa.”

FONTE: Folha de SP

PROJETO BANHEIRO ACESSÍVEL

Quando vocês pensam em um banheiro acessível, qual é a primeira coisa que vem na cabeça?

Na minha cabeça a primeira imagem que vem e a de um banheiro branco, com um vaso sanitário com aqueles buracos na ponta e com barras de apoio no vaso e no chuveiro.

Para ser bem sincero, todos as imagens que encontrei na internet são de banheiros que ao meu gosto não são bonitos.

Há mais ou menos um mês atrás decidi que queria reformar o banheiro do meu quarto, procurando algumas referencias na internet me deparei com vários modelos diferentes. Mas nenhuma das imagens que encontrei era o que eu procurava, quando o banheiro era acessível ele era feio, e quando era bonito não tinha acessibilidade nenhuma.

Foi quando resolvi buscar a ajuda de um escritório de arquitetura para juntos criarmos o banheiro ideal para mim, nessa busca encontrei o Joao e a Ieda do @joiearquitetura. Eles criaram um projeto de um banheiro modelo em acessibilidade.

É o resultado do projeto ficou incrível, o banheiro ficou a minha cara, moderno e totalmente acessível.

Algumas informações importantes sobre o projeto:

Barras horizontais: as barras horizontais da bacia sanitária devem medir 80cm de um eixo de fixação ao outro. A barra atrás da bacia sanitária poderá avançar no máximo 11cm para frente (da parede à sua face mais externa). Altura: 75cm do piso acabado ao eixo de fixação. Devem ser instaladas 2 barras destas, no caso de bacia instalada em parede com parede lateral (como no nosso exemplo). Mas é importante destacar que existem outras opções (e neste caso, veja a norma);

Barras verticais: 70cm de comprimento (entre eixos de fixação). Ela deve ficar a 30cm do fim da bacia e 10cm acima da barra horizontal localizada logo abaixo. Apenas a barra do lavatório será diferente: terá 40cm, fixada a partir de 90cm do piso e a no máximo 20cm da borda do lavatório;

Espelho: a base inferior deve estar a no máximo 90cm do piso e a altura da borda superior deve estar a no mínimo 1,80m do piso acabado. Se o espelho for inclinado 10º em relação à parede, a altura da borda inferior deve ser de no máximo 1,10m e da borda superior de no mínimo 1,80m do piso acabado;

Acessórios (como saboneteiras e toalheiros): devem ficar a uma altura entre 80cm e 120cm do piso acabado;

Portas – acesso: para que ocorra o deslocamento correto do cadeirante, é necessário que certos espaços sejam mantidos livres de quaisquer barreiras. Se a porta abrir no sentido oposto da chegada do usuário, deverá ter no mínimo 1,20m livre para chegada e 30cm livres entre o alinhamento da abertura e a parede da direita. Mas se a folha da porta abrir sobre o usuário, será necessário que exista no mínimo 1,50m livre na frente da porta e 60cm livres entre o vão e a parede esquerda. este é um detalhe importante especialmente quando o banheiro está em um hal ou corredor. Além disso, deverão ter, do lado oposto ao da abertura, puxadores horizontais associados à maçaneta;

Altura da bacia sanitária: de 43 a 45cm (do piso acabado ao topo da bacia), sem considerar o assento (com o assento, deverá ser de no máximo 46cm). Poderá ser instalada uma bacia já com a altura adequada, ou ainda executar um sóculo, o qual não deverá ultrapassar 5cm da base da bacia;

Altura lavatório (pia): a face superior da pia deve estar entre 78 e 80cm a partir do piso acabado;

Profundidade da pia: da borda externa à torneira deverá haver uma distância máxima de 50cm;

Tamanho mínimo boxes de chuveiros: 90x95cm;

Chuveiro: registros e misturadores devem ser do tipo alavanca, preferencialmente monocomando. O chuveiro deve ser instalado a 45cm da parede lateral e a 1m de altura. Deve haver ducha manual, na qual deve haver o controle de fluxo da água e a ducha deve ser instalada a 30cm da parede de fixação do banco a altura de 1m do piso.

Médico estudou Libras para se comunicar com pacientes surdos Antes mesmo de entrar para a faculdade de medicina, na Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Petrolina, Pernambuco, Igor Jambeiro tinha contato com o universo da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Ele está no 12º período da faculdade, praticamente formado. Igor é médico interno, uma modalidade de estágio, no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), na Bahia. Foi em um espetáculo de Natal o primeiro contato de Igor com a Libras. Realizado pela Primeira Igreja Batista de Petrolina, o espetáculo tinha um coral em Libras.

“Eu participei e quis continuar. Então, tive contato com a comunidade e hoje sou um dos intérpretes da minha igreja”, contou Igor ao Razões para Acreditar.

Ele conta que já acompanhou amigos deficientes auditivos em consultas médicas. Durante esses acompanhamentos, Igor notou a importância de saber Libras para atender melhor esses pacientes.

“Sendo amigo deles, descobri o quanto é ruim e desconfortável, por vários motivos, como diagnósticos errados, erro na conduta, ou então não saber explicar a maneira correta de tomar os medicamentos, incluindo tempo de aprazamento, quantidade e informações sobre a utilização correta e racional da medicação”, explica.

Outro ponto destacado por Igor tem a ver com a privacidade dos pacientes. Muitas vezes, segundo o médico, o paciente gostaria de conversar apenas com o médico, sem a participação de um intérprete.

“Poderia haver essa comunicação direta, sem ser necessária a interlocução do intérprete. Sendo da escolha do surdo se a nossa consulta seria somente entre nós dois, ou se ele se sente à vontade o suficiente para que haja a presença do intérprete.”

Até hoje, Igor atendeu uma única paciente deficiente auditiva. Ele lembra que a paciente achou maravilhoso o atendimento e que muitos amigos da comunidade surda colocam esperanças nele quando for um profissional com CRM e formado.

Mas dentro da própria faculdade Igor desenvolveu pesquisas relacionadas ao uso racional de medicamentos e promoção de novas tecnologias para melhorar a comunicação entre pacientes deficientes auditivos e profissionais da saúde ouvintes.

A fluência em Libras é facilitada por outros interesses de Igor. Além de médico, ele é produtor de peças teatrais em Libras, bailarino e ator. Diferentes linguagens corporais que se somam à Libras para Igor oferecer um atendimento justo e humanizado à comunidade surda.

 

FONTE: Surdosol

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