Fora das ‘estações olímpicas’, cadeirantes sofrem com falta de acessibilidade

Pedro Luís Salles desceu do trem na estação Sampaio, no ramal Deodoro, na Zona Norte do Rio, na tarde do último dia 22. O primeiro desafio do vendedor de 39 anos, que é cadeirante, apareceu logo que ele atravessou a saída da plataforma: um lance de escadas com mais de 30 degraus. Foram precisos dois agentes da Supervia e um passageiro segurando a cadeira de rodas — e quase três minutos — para chegar ao patamar.

Mas não acabou por aí. Para sair da estação, é preciso subir o mesmo número de degraus. Sem rampas ou elevadores. Pedro se esgueirou para fora da cadeira e usou os braços para se arrastar pela escada suja e com cheiro de urina. Outro passageiro o ajudou com a cadeira.

Coordenados por Pedro, o deputado Carlos Minc (sem partido) e a vereadora Luciana Novaes (PT) fizeram uma vistoria nas 18 estações do ramal Deodoro e encontraram seis sem rampas, sete sem elevador e 16 com irregularidades no nivelamento entre o trem e a plataforma.

— É vergonhoso ter que passar por isso, ser carregado no colo por outros passageiros. Só quero que garantam o meu direito de ir e vir — declara Pedro.

.A vistoria é uma iniciativa da comissão do “Cumpra-se”, da Assembleia Legislativa do Rio, presidida por Minc. Na próxima sexta-feira (9), os dois parlamentares, um grupo de 40 cadeirantes e representantes do Procon farão uma ação na estação do Riachuelo para chamar a atenção para o problema. O levantamento também será encaminhado ao Ministério Público e à Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio (Agetransp).

Morador do Riachuelo há 25 anos, o vendedor Antônio José Rocha, de 61, sofre com dores no joelho esquerdo desde 2011, quando fez uma cirurgia. Para subir a escada da estação de trem do bairro, ele vai agarrado ao corrimão.

— Vou com frequência à Central comprar peças e fico com medo de cair na escada. Muitos velhinhos reclamam. É uma falta de respeito com as pessoas — diz Antônio.

Legado olímpico

Segundo Carlos Minc, as únicas estações que chegam perto de cumprir as leis de acessibilidade são a Maracanã, Engenho de Dentro e Deodoro. Mesmo assim, o elevador de Deodoro está quebrado e há desníveis na do Maracanã.

— Só adaptaram as estações que foram deixadas como legado da Olimpíada porque o mundo todo estava olhando para o Rio. Pelo visto, os outros não tem os mesmos direitos. Sabemos que é possível fazer, mas parece que falta vontade — afirma Minc.

Procurada para comentar a vistoria, a Supervia informou que o processo de modernização das estações faz parte do acordo de melhorias firmado com o governo do estado, com obras que foram iniciadas em 2012 e seguirão “de acordo com as prioridades avaliadas pela concessionária”. Segundo a empresa, as intervenções vão padronizar as plataformas, que recebem 17 tipos de trens, com alturas e larguras diferentes.

Ainda de acordo com a Supervia, seis estações tiveram, no ano passado, obras de revitalização para atender aos padrões internacionais de acessibilidade. No ramal Deodoro, foram a de São Cristóvão, a Olímpica de Engenho de Dentro e Deodoro. A concessionária acrescentou que a estação São Francisco Xavier recebeu plataformas elevatórias, e a de Madureira, elevadores, rampas e escadas rolantes.

Já a Agetransp informou que o plano de investimentos do contrato de concessão é acompanhado por por uma comissão mista, formada pela agência, pela Secretaria estadual de Transportes e pela Central. Segundo a agência, é aberto um processo regulatório e a Supervia pode ser penalizada quando são identificadas falhas de forma sistemática, como escadas rolantes quebradas.

Aluno com deficiência tem direito a monitor individual

Os Desembargadores integrantes da 8ª Câmara Cível do TJRS negaram recurso de apelação do Estado do Rio Grande do Sul e julgaram procedente o pedido da família de um adolescente para que ele tenha um monitor na escola estadual.

Caso

O menino é portador de paralisia cerebral grave com tetraplegia associada ao transtorno de linguagem. A família sustentou que ele necessita de monitor em tempo integral durante a frequência em sala de aula, de forma individual e exclusiva.

A defesa do Estado alegou que inexiste, nos autos, prova de que a admissão de tal profissional alcançará a eficácia pretendida, não sendo certo que será mais benéfico o acompanhamento em escola regular do que sua inserção em uma escola especializada, como APAE, por exemplo.

Apelação

Em seu voto, o relator do apelo, Desembargador Ricardo Moreira Lins Pastl, argumenta que, de acordo com laudo escolar e atestado médico, o adolescente necessita de um profissional habilitado na função de monitoria para acompanhá-lo nas atividades diárias junto à escola estadual em que está matriculado.

Com base na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei nº 9.394/96, o relator descreve que é consabido que o direito à educação, especialmente àquelas crianças e adolescentes que possuam necessidades especiais, constitui direito fundamental social, que deve ser assegurado de forma solidária pelos entes federativos, com absoluta prioridade.

Acompanharam a decisão os Desembargadores Rui Portanova e Luiz Felipe Brasil Santos.

Fonte: TJRS

Parque aquático para pessoas com deficiência será aberto nos EUA

É um parque de inclusão’, diz criador da atração em cidade do Texas

 SAN ANTÔNIO, Texas — Se molhar com jatos d’água faz a diversão das crianças, mas aquelas com algum tipo de deficiência muitas vezes eram impedidas de brincar. Não mais. O Morgan’s Wonderland, em San Antonio, no Texas, inaugura neste sábado o primeiro parque aquático do mundo totalmente adaptado às necessidades das pessoas com deficiência.

— O Inspiration Island não é um parque de necessidades especiais, é um parque de inclusão — disse Gordon Hartman, fundador da Fundação The Gordon Hartman Family, que desde 2005 investe em projetos que beneficiem a comunidade de pessoas com deficiência, incluindo o parque aquático. — Ele foi projetado com foco nas pessoas com necessidades especiais e construído para a diversão de todos.

Antes da abertura oficial, grupos foram convidados para testarem todos os equipamentos, de forma a garantir que todas as atrações possam ser aproveitadas por todos os visitantes.

— Nosso objetivo é fornecer uma experiência ótima num ambiente inclusivo, seguro e confortável — completou Hartman.

O parque aquático ocupa uma área de 32 mil metros quadrados e recebeu US$ 17 milhões em investimentos. Entre as atrações estão um passeio de barco por um rio com tema tropical e cinco áreas com brinquedos, como gêiseres, canhões e cortinas d’água e pequenos escorregas.

Na recepção, espaços amplos permitem que os visitantes troquem as suas cadeiras de roda pelas do parque. Existem três tipos de cadeiras de roda à prova d’água. Uma delas, movida a ar comprimido, foi criada para atender pessoas que usem cadeiras elétricas. Um outro modelo é para pessoas que precisam ser empurradas, e um terceiro modelo é para os visitantes que conseguem se mover sozinhos.

O projeto foi desenvolvido com apoio de médicos, terapeutas, professores, cuidadores e, claro, as próprias pessoas com deficiência. A inspiração para o parque vem da filha de Hartman, Morgan, uma jovem de 23 anos com necessidades especiais.

— Nós decidimos batizar o parque como Morgan’s Inspiration Island porque Morgan verdadeiramente foi a catalizadora de todos os projetos que criamos para ajudar a comunidade de pessoas com deficiência — contou Hartman.

FISIOTERAPEUTA DESENVOLVE PLATAFORMA SIMULADORA INSTÁVEL DE REABILITAÇÃO

 Plataforma simuladora instável como controle de Games

O simulador utiliza o entretenimento dos jogos integrado a uma plataforma instável equipada com sensores que leem os movimentos, permitindo que funcione como controle de games proprietários desenvolvidos especificamente com fins de reabilitação.

Plataforma Instável Multifuncional dotada de sensores que lhe permitem interação com games proprietários desenvolvidos especificamente com fins de reabilitação. Tecnologia assistiva e recurso terapêutico de baixo custo que possibilitam inclusão de pessoas com deficiência aos games e novas abordagens terapêuticas para reabilitação da criança deficiente.

Ilustração do Movimento Tridimensional Instável:

 

COMO SURGIU?

Um problema:

A ideia surgiu da frustração do fisioterapeuta pesquisador responsável pelo projeto, em lidar com o problema postural do seu filho, que pode ser resumido na dificuldade de se manter adolescentes em postura terapêutica e comprometidos com os tratamentos, que é considerada uma das causas de abandono do tratamento.

A pouca motivação gerada pelos métodos tradicionais é apontado como razão para abandono de tratamento fisioterápico (DIAS et al, 2009).

Uma observação:

Por outro lado, essas mesmas crianças e adolescentes são capazes de passar horas na frente de smartphones e TVs, jogando videogames e interagindo por meio de mídias sociais.

68,6% de adolescentes são sedentarios. (VITORINO, P.V., 2011)

87,9% das crianças gastam mais que 2 horas/dia na TV, videogame ou computer. (BILLERBECK, N.C., 2015)

Uma ideia:

Usar o engajamento proporcionado pelos jogos combinado a um plano instável – que permite simular vários esportes e atividades através de Realidade Virtual e experiências imersivas visando manter crianças e adolescentes comprometidos com os tratamentos.

Obs: Tanto os planos instáveis e games são recursos terapêuticos extensivamente estudados, com vários trabalhos publicados.

Demandas:

1- Quedas que tem sido apontadas como uma das principais causas de morbimortalidade em idosos. Gastos com a recuperação decorrentes de queda ultrapassaram R$ 81 milhões/ano. (Min. da Saúde, 2009).

2- Gerações “Y” e “Z”, nativos digitais, ávidos por novas experiências, e adeptas de games. Juntas, elas respondem por 40% da população atual, usam a tecnologia em quase todas as aplicações, e certamente esperam que o seu programa de atividade física e reabilitação os atenda da mesma maneira.

        

3- Reabilitação Neurológica: Tratamentos de reabilitação neurológica são necessários durante toda a vida das crianças com deficiência. Portanto, é inevitável que eles se tornem monótonos, cansativos ou chatos. Queixas ergonômicas por parte dos profissionais no tratamento de pacientes neurológicos. Frequentes relatos de lesões graves, mudança de especialidade, ou necessidade de tratamento e preparo para a realização de tais atividades.

   

SOLUÇÕES

Através de adaptações na plataforma original, é possível entregar soluções que atendam à várias e importantes demandas atuais do segmento de reabilitação. A característica peculiar de instabilidade controlada que não apresenta pontos ou eixos fixos, possibilita que a plataforma realize movimentos tridimensionais, funcionando ainda como simulador para várias modalidades de esportes e atividades.

Conforto ergonômico para profissionais de reabilitação através de Tratamento Suspenso por elásticos.

Neuroreabilitação Infantil através de jogos lúdicos.

Inclusão de cadeirantes aos games.

Neuroreabilitação Infantil através de jogos lúdicos.

 

Tratamento Postural por meio de Realidade Virtual.

 

Treinamento de Equilíbrio e propriocepção.

Treinamento de alta performance por meio de Realidade Virtual.

Treinamento para canoagem por meio de Realidade Virtual.

Stand Up Paddle com gamificação

 

Mulher conta como enfrenta preconceito contra marido e filho cadeirantes: ‘Amor supera’

“Ai, tadinho!”. “Que judiação!”. “Ele é tão bonitinho, pena que não anda”. Thaís Araújo, de 25 anos, ainda se arrepia quando escuta frases como essas, disparadas a Miguel, seu filho, de 3 anos. Com uma malformação detectada ainda na gestação, a mielomeningocele, o pequeno já se acostumou a manejar a cadeira de rodas com que conviverá para o resto da vida. No último ano, sua evolução é notória: o menininho já sobe e desce do aparelho para a cama sozinho, por exemplo, empoderado pelo exemplo de Fernando Mendes, de 33 anos, a quem passou a chamar de pai.

Foi amor à primeira vista. A mãe estava em Rio Claro, São Paulo, na loja em que Fernando trabalha como vendedor para a manutenção da cadeira de Miguel. O coração acelerou quando viu o homem e, três meses depois, ela decidiu se mudar de Brasília, onde vivia, para se juntar ao amado.

Thaís se emocionou quando viu a postagem do EXTRA no Facebook, que contava a história de preconceito contra Thaís Carla e o marido, Israel Reis. O casal é apontado nas ruas por suas diferenças: ela é gorda e branca e ele, negro. “Eu sou casada com um cadeirante e tenho um filho cadeirante. Tenho olhos tortos pra cima de mim o tempo inteiro, aonde quer que eu vá, mas temos muito mais admiradores, graças a Deus! Eu amo meus meninos, do jeitinho que eles são, porque o que importa não é andar, e sim o amor que tem entre nós!”, escreveu.

Em entrevista ao EXTRA, a dona de casa contou que se colocou no lugar do casal quando viu a história.

— Muita gente acha que um andante não pode amar um cadeirante, que a relação só pode ser de interesse. Mas, quando vi Fernando, não o enxerguei numa cadeira de rodas. Vi um homem. Até hoje esqueço e ele precisa me lembrar de guardar a cadeira no carro, por exemplo — conta Thaís, acostumada a olhares constrangedores e perguntas nas ruas :

— Pessoas que nunca vimos perguntam se o Miguel é filho dele, se é uma doença genética dos dois, ou se eu sou a única que não teve sequelas depois de um grave acidente envolvendo toda a família. Nós fazemos questão de responder a todos, porque é uma maneira de se acostumarem com o que é diferente — disse.

Apesar da naturalidade com relação ao assunto, a própria Thaís teve que vencer seus medos para estar num relacionamento com Fernando. Afinal, era a primeira vez que se envolvia com um cadeirante.

— É claro que pensei “Meu Deus, como vai ser?”. Minhas amigas também ficaram surpresas quando disse que estava apaixonada por um cadeirante, mas a verdade é que não faz a menor diferença ele não poder andar. Fernando consegue deixar tudo fácil e natural com o bom humor dele e com a forma espontânea com que lida com a deficiência — revela.

Inspiração de pai para filho

A ligação de Miguel e Fernando é forte. “Ele já chama o Fernando de pai”, conta. O menino, que antes não conhecia ninguém como ele, agora frequenta um universo em que ser cadeirante não invalida seus sonhos:

— Sofri vários preconceitos quando estava sozinha com Miguel, e sempre tive que dizer que não era um coitadinho. Numa situação, saí chorando muito, completamente constrangida. Agora, meu filho tem a chance de entender que pode fazer tudo como qualquer pessoa. O amor supera tudo — comemora.

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